
Os danos provocados pelo temporal que atingiu a Região das Missões no fim da tarde e início da noite de terça-feira, 28, podem ter sido causados por um tornado. A avaliação é do meteorologista Ronaldo Coutinho, da Climaterra, que analisou as imagens e os relatos de destruição registrados em municípios como Giruá, Sete de Setembro, Ubiretama e Senador Salgado Filho.
Em entrevista à Rádio Sepé Tiaraju, Coutinho afirmou que as características observadas são compatíveis com um tornado de categoria F1 na Escala Fujita. De acordo com ele, o fenômeno teria apresentado ventos entre 130 e 180 quilômetros por hora, intensidade suficiente para provocar destruição significativa em curto espaço de tempo.
O meteorologista explicou que o tornado se forma a partir de células convectivas, nuvens de tempestade extremamente intensas que desenvolvem rotação. Quando esse movimento gera um funil que alcança o solo, ocorre o tornado.
Segundo Coutinho, esse tipo de fenômeno é difícil de prever de forma localizada, pois, embora possa ser identificado por radares meteorológicos, a confirmação costuma ocorrer apenas poucos minutos antes da sua formação. Ele também ressaltou que os danos provocados por um tornado diferem daqueles causados por um vendaval comum, já que a força do vento atua de maneira mais concentrada, com capacidade de torcer, levantar e destruir estruturas.
A análise ajuda a compreender os prejuízos registrados em propriedades rurais da região, onde galpões, chiqueiros, construções de madeira e diversas árvores foram derrubados durante a tempestade. O meteorologista destacou ainda que a ocorrência de granizo costuma acompanhar tornados, situação observada em diferentes municípios atingidos pelo temporal.
Além da intensidade dos ventos, Coutinho chamou atenção para os elevados volumes de chuva acumulados nos últimos dias. Em Ijuí, os registros variaram entre 93 e 182 milímetros ao longo de três dias. Já em Santo Ângelo, a estação meteorológica da universidade contabilizou aproximadamente 86 milímetros em apenas 24 horas.
Para esta quarta-feira, a previsão aponta redução gradual da chuva na Região das Missões, com a entrada de uma massa de ar mais seco e frio. Mesmo assim, o meteorologista alertou que a atmosfera ainda permanece instável e que períodos de sol podem transmitir uma falsa sensação de segurança, como ocorreu antes dos temporais registrados na terça-feira.
A tendência é de condições mais favoráveis entre quinta e sexta-feira. No entanto, a chuva poderá retornar entre a tarde e a noite de sábado, com possibilidade de novas instabilidades no domingo e também ao longo da próxima semana. Conforme Coutinho, o Rio Grande do Sul entra em um período com intervalos menores entre os episódios de chuva, mantendo o solo encharcado e aumentando o risco de novos eventos de precipitação intensa.
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