
O trânsito do Rio Grande do Sul teve 734 acidentes fatais no primeiro semestre de 2026, que resultaram em 819 mortes, conforme dados do DETRAN/RS. O número de ocorrências caiu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutor em Mobilidade, Carlos José Antônio Kümmel Félix, a redução é positiva, mas ainda insuficiente para indicar uma mudança consistente no cenário da segurança viária no Estado.
Considerando os primeiros semestres dos últimos cinco anos, 2024 segue como o período com maior número de acidentes fatais nas rodovias gaúchas. Apesar da queda em 2026, o total ainda supera o de 2023.
O DETRAN/RS aponta que entre os principais fatores de risco estão: excesso de velocidade, uso de celular ao volante, consumo de álcool, falta do cinto de segurança e cansaço.
Rodovias com mais acidentes fatais
As três principais rodovias federais do Rio Grande do Sul lideram o ranking de acidentes fatais no primeiro semestre de 2026.
- BR-116: 30 ocorrências no primeiro semestre de 2026; 35 no mesmo período de 2025
- BR-386: 24 em 2026; 25 em 2025
- BR-290: 24 em 2026; 21 em 2025
Segundo a professora de Mobilidade e Infraestrutura da UNISINOS, Danielle de Souza Clerman, o intenso fluxo de veículos de diferentes perfis torna essas rodovias mais complexas e exige soluções integradas para aumentar a segurança.
— São rodovias que têm um tráfego muito misto, com transporte pesado de cargas muito relevante, mas também de veículos de passeio, de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra. Isso reforça a necessidade de ainda mais atenção, fiscalização e projetos de engenharia conectados entre si — explica.
A especialista observa ainda que tanto a BR-116 quanto a BR-386 passam por obras de duplicação e melhorias. Para ela, a necessidade de reduzir a velocidade e redobrar a atenção nos trechos em intervenção pode ter contribuído para estabilidade ou leve redução dos índices.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atribui o elevado número de ocorrências às características dessas rodovias. Segundo a corporação, a BR-116, que liga Vacaria a Pelotas, concentra intenso fluxo e ainda possui poucos trechos duplicados. Já a BR-386 passa por obras, e a manutenção dos índices é considerada positiva diante das intervenções.
No caso da BR-290, que liga Uruguaiana ao Litoral, a PRF destaca que a rodovia reúne trechos de pista simples e partes em obras de duplicação. Além disso, as longas retas podem contribuir para excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas.
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