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21/09/2018 ás 15h43 - atualizada em 21/09/2018 ás 15h51

Raiana Silva

Tenente Portela / RS

20 de setembro: O que é comemorado pelos Gaúchos!
A publicação dessa coluna foi realizado no Jornal Província desta semana
20 de setembro: O que é comemorado pelos Gaúchos!
Imagem ilustrativa da Revolução Farroupilha. (Foto: Divulgação/Jornal Folha do Sul)

Por Ingrid Krabbe


Existe uma certa comoção acerca da chamada Guerra dos Farrapos ou até Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul. O fato que ocorreu no estado entre os anos de 1835 e 1845 é tratado pela mídia e inclusive por alguns livros didáticos em tons quase folclóricos e mitológicos. Em muitas escolas públicas as crianças se reúnem no final das aulas durante a Semana Farroupilha para ouvir e cantar o hino Rio-Grandense. Em supostos trajes típicos, adultos e crianças desfilam pelo Acampamento Farroupilha, que remonta a vida colonial das elites escravocratas e colonizadoras.


Mas toda essa movimentação começou com a insatisfação dos poderosos proprietários de terra em relação ao governo regencial. Altas taxas de comercialização de seus produtos impostas pelas Leis Federais sobre o charque e o couro, fazendo a concorrência com a produção de carne do Uruguai e Argentina, onde os produtores do sul do Brasil, buscavam negociar com o governo regencial, condições de taxação dos estrangeiros. Porém, as condições não eram vantajosas aos imperialistas, que acabariam gastando mais, principalmente na alimentação dos escravizados. Comemorar o 20 de setembro, marca a imagem do passado, construída por associações de ideias. 


O desconhecimento da realidade do passado provoca a criação do fantástico e do irreal com lacunas daquilo que não convém lembrar, como as degolas, as pilhagens e a miséria que ficou o Rio Grande do Sul após quase 10 anos de guerra civil. Porto Alegre recebeu o título de Leal e Valorosa, concedido pelo então Imperador D. Pedro II, por ter sido antifarroupilha, assim como Rio Pardo, Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e Caçapava, que foi capital. No entanto, todo o Rio Grande do Sul festeja a data da invasão de Porto Alegre.


A propaganda republicana pelos sócios da Sociedade do Partenon Literário, criado em 1868, apropriou-se da data de 20 de setembro de 1835, como a imagem da revolta do Rio Grande do Sul republicano contra o Império. Artigos, poesias e peças teatrais exaltaram a luta pela liberdade. O escritor e professor Apolinário Porto Alegre saia com seus alunos do Instituto Brasileiro, marchando e cantando o hino A marselhesa até a Praça da Matriz, em comemoração ao 20 de setembro. Nos contos regionalistas escritos por Apolinário, as ações se passam no período da guerra civil como Valeiro, Tapera e o Cancioneiro da revolução de 1835. No romance O vaqueano, publicado em 1869, o personagem José Avençal é vaqueano de David Canabarro, acompanhando-o até Santa Catarina onde encontra seu inimigo cruel, o imperial André Capincho. 


O imperial mata a irmã para evitar que ela se encontre com o farroupilha Avençal. Historiadores como Alcides de Lima, Joaquim Francisco de Assis Brasil e Ramiro Barcelos buscam as raízes do republicanismo na luta pela liberdade contra a centralização do Império do Brasil. A Propaganda republicana chegou ao fim com o golpe de do marechal Deodoro da Fonseca, ao proclamar a República. Júlio Prates de Castilhos consolidou a república no Rio Grande do Sul, em seus artigos no jornal A Federação, usando como tema a herança de liberdade, de luta e coragem dos republicanos farrapos. 


A Constituição Estadual de 14 de julho de 1891, elaborada por Júlio de Castilhos, estabelecia no artigo único do Título VI: “São Insignias officiaes do Estado as do pavilhão tricolor malograda República Rio-Grandense”. Em 1947, pela Constituição estadual, no artigo 237, Título XI: “O Estado terá como insígnia oficial o pavilhão tricolor da República de Piratini, e adotará igualmente o Hino Farroupilha”. Dois erros do legislador: não existiu a República de Piratini, o correto é República Rio-Grandense, conforme seus documentos oficiais. Não se conhece a música do maestro Medanha e a letra não é a mesma publicada pelo jornal O Povo, órgão oficial da República Rio-Grandense, de 4 de maio de 1839. Finalmente a mistura de gauchismo com a Guerra dos Farrapos completou o imaginário coletivo com novo sentido de 20 de setembro: “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”. Que façanhas?

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