
No programa Timeline da Rádio Gaúcha, na manhã da quarta-feira (02/12), os jornalistas Kelly Matos e David Coimbra comentaram sobre o assalto ocorrido ao Banco do Brasil no centro de Criciúma/SC, na noite da segunda-feira (30/11).
O teor dos comentários gerou repercussão imediata, pois os jornalistas valorizaram a forma orquestrada do assalto e, ainda, mencionaram que os bandidos tiveram respeito pelos cidadãos.
O delegado da Polícia Civil de Crissiumal, Willian Garcez, gravou um vídeo repudiando as declarações feitas pelos dois jornalistas do Grupo RBS. — De tanto de bobagem que falaram os dois formadores de opinião, é difícil de acreditar. É por isso que o país ‘tá na m...’. Por isso é tão difícil ser policial — ressaltou o delegado.
A autoridade lamentou também que os jornalistas praticamente glorificaram os bandidos e disseram que eles tiveram respeito pelas vítimas e pela sociedade. — Que respeito? Se os caras assaltaram o banco com material bélico igual ao das forças armadas — acrescentou Willian Garcez.
Confira abaixo, a íntegra do vídeo gravado pelo delegado.
Comentário sobre criminosos em Criciúma faz 'Timeline' perder patrocínios
Logo após dar início ao programa da Rádio Gaúcha 'Timeline' e apresentar os patrocinadores, na manhã da última quinta-feira (04/12), David Coimbra e Kelly Matos começaram a conversar sobre o estilo de abordagem da quadrilha que assaltou uma agência do Banco do Brasil, em Criciúma, no início da semana. Contudo, o comentário dos jornalistas, que compararam a abordagem dos criminosos à instituição financeira aos demais roubos às pessoas na rua, por exemplo, não causou boa impressão nos patrocinadores.
Após a repercussão negativa da conversa entre os apresentadores, Unicred, Biscoitos Zezé, Santa Clara, Salton, Sebrae-RS e Shopping Total, emitiram nota de repúdio sobre os comentários dos jornalistas e cancelaram o contrato de patrocínio do programa. Conforme comunicado da Unicred, a empresa ‘respeita a liberdade de imprensa e o trabalho realizado pelos jornalistas e pela RBS, no entanto, não compactua com os comentários realizados a respeito dos bancos e assaltantes’.
Enquanto isso, a companhia Biscoitos Zezé escreveu, em nota, que também repudia veemente a manifestação dos profissionais. ‘Não há contexto possível para tais comentários no mínimo desrespeitosos e debochados, tendo em vista que bandidos sitiaram uma cidade, provocaram pânico na população, e que dessa ação resultou em um policial gravemente ferido no exercício de sua tão valorosa atividade’.
A Cooperativa Santa Clara, por sua vez, informou que, em toda a sua história, enalteceu e apoiou as entidades e ações em prol da segurança pública. ‘Seguindo estes valores, não compactuamos com os comentários no programa Timeline, referente ao assalto ao Banco do Brasil em Criciúma’, comunicou a marca, que também retirou o patrocínio.
Quem ainda se manifestou a respeito do assunto foi o Shopping Total. Segundo o informe, a empresa não chancela o posicionamento dos comunicadores, fora do contexto, da realidade e da legalidade da pauta. ‘Não somos patrocinadores do programa Timeline, os anúncios são avulsos da Campanha de Natal 2020. Já solicitamos a exclusão da veiculação destes anúncios na grade do programa.
A mesma atitude tiveram a Salton e o Sebrae-RS. A vinícola registrou em seu comunicado que ‘se solidariza com todas as pessoas que foram atingidas pela ação criminosa, incluindo ainda as instituições financeiras’. O Sebrae, por sua vez, afirmou que as opiniões como foram externadas ‘demonstram uma instabilidade que beira a irracionalidade, consideradas as consequências do ocorrido com a população daquela cidade’.
Procurados por Coletiva.net, o Grupo RBS informou que não se manifestará além do comunicado emitido. Na nota, abordaram que não houve a intenção de minimizar a gravidade da ação criminosa e de ofender as empresas, os cidadãos e os policiais que foram feridos. Ainda foi informado que o comunicador se retratou no ar nesta quinta-feira, 3. ‘A RBS pede desculpas pelo ocorrido e afirma seu respeito às instituições financeiras e às forças policiais, assim como a todas as pessoas atingidas pelo lamentável episódio. A linha editorial da RBS nos assuntos de segurança busca auxiliar cidadãos e empresas a se protegerem e valoriza as forças policiais na defesa da lei e da sociedade’.
O conglomerado midiático acrescentou há pouco, nesta mesma nota, que tem como princípio estar aberto às críticas e aos questionamentos de todos, para ouvir suas percepções sobre todo e qualquer tema e estabelecer uma relação constante de diálogo e respeito. ‘Essa atitude será reforçada nos próximos dias com diversos setores da sociedade com o propósito de aperfeiçoar o seu jornalismo responsável e independente’.
*Texto extraído do site 'coletiva.net'.
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