
Seis meses e meio após o novo coronavírus deixar sua primeira vítima no Rio Grande do Sul, o Estado ultrapassou na quarta-feira (07/10) a marca de cinco mil mortes provocadas pela pandemia. No começo da tarde, a contabilidade oficial chegou a 5.035 vidas perdidas para Covid-19.
Para se ter dimensão do que esse número representa, é uma cifra superior à população de 46% das cidades do RS, isoladamente, ou pouco mais do que o triplo de todas as 1.591 mortes ocorridas em ruas e estradas gaúchas no ano passado.
Desde o registro do primeiro óbito, em média 25 pessoas morreram diariamente no Estado em razão da pandemia. Para o epidemiologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Petry, por trás dessa cifra há tragédias pessoais impossíveis de serem mensuradas em números. — Cada vida perdida representa uma dor, um trauma — afirma o especialista.
Mas o epidemiologista reitera que, pelo menos, a sociedade gaúcha conseguiu evitar um impacto que poderia ser ainda maior diante da gravidade do cenário nacional e da ferocidade do novo vírus. Quando se compara a taxa de óbitos ajustada à população com a de outros estados, o Rio Grande do Sul aparece na quarta melhor colocação do país com 44,3 vítimas por 100 mil habitantes.
No Brasil, apenas Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais aparecem em situação mais favorável que a do Rio Grande do Sul. — Não alivia o impacto de milhares de mortes, mas serve para reforçar a importância de tomar ações adequadas contra a proliferação do vírus — diz Paulo Petry.
— Conseguimos ficar em uma situação comparativamente um pouco melhor porque fechamos (a economia, reduzindo a circulação de pessoas) cedo, dando tempo para a rede de atendimento se preparar, e graças à qualidade dos nossos profissionais de saúde — acrescenta o especialista.
Desde o começo da pandemia, o Estado mais do que dobrou o número inicial de 933 leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) disponíveis para adultos via Sistema Único de Saúde (SUS). A garantia de atendimento ajuda a controlar o impacto de Covid-19, quando se esgota a capacidade hospitalar para receber casos graves, o risco de morte aumenta em até dez vezes.
A média nacional de mortalidade, até o começo da tarde da quarta-feira (07/10), estava em 70,2 vítimas por 100 mil habitantes. A região com pior desempenho era o Distrito Federal, com um índice de 111,6 mortos por 100 mil habitantes em razão da pandemia. O Estado em melhor situação, segundo o Ministério da Saúde, era Minas Gerais. Os mineiros registravam um índice de 36,4 até aquele momento.
A contabilidade dos óbitos também sugere uma lenta redução no ritmo da pandemia nos meses mais recentes. O Estado levou 19 dias para saltar de dois mil para três mil mortos por Covid-19 em meados de agosto, e 21 dias para perder outras mil vidas até o começo de setembro. Agora, esse mesmo número levou 29 dias para ser acrescentado.
Faixa etária acima de 80 anos é a mais atingida:
A conta das mais de cinco mil vítimas do novo coronavírus no Rio Grande do Sul foi atingida à custa principalmente da vida de homens idosos. O sexo masculino responde por 56% dos óbitos, e a faixa etária acima de 80 anos de idade apresenta o mais alto percentual entre todas, com 29% dos registros. A população entre 70 e 79 anos aparece logo em seguida, com 28%.
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