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Família levanta suspeita sobre suicídio de ex-marido de Alexandra Dougokenski

Mulher de 33 anos admitiu ter matado o próprio filho em Planalto, em maio deste ano

Por: Editoria Local Fonte: Gaúcha ZH
07/10/2020 às 19h13
Família levanta suspeita sobre suicídio de ex-marido de Alexandra Dougokenski
José Dougokenski morreu aos 32 anos supostamente ao tirar a própria vida no interior de Farroupilha, por enforcamento (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

No começo da noite de 25 de maio deste ano, ao ver a chamada na TV para a reportagem que revelaria que Alexandra Dougokenski, 33 anos, admitiu ter matado Rafael Mateus Winques, 11 anos, a autônoma Helena Dougokenski, 40 anos, desesperou-se. De Porto Alegre, ligou para a mãe, em Alpestre.

Se a ex-cunhada fora capaz de confessar que tirou a vida do próprio filho dez dias antes, em Planalto, aquela era a oportunidade para tentar mais uma vez reabrir a investigação da morte do irmão e primeiro marido de Alexandra, José Dougokenski, ocorrida em fevereiro de 2007. A confirmação do assassinato do menino com o uso de uma corda de varal (mesmo objeto encontrado no local da morte de José) fez a família reviver a dor guardada há 13 anos.

O agricultor José Dougokenski morreu aos 32 anos em 05 de fevereiro de 2007, supostamente ao tirar a própria vida no interior de Farroupilha, por enforcamento. Alexandra e o filho do casal, então com três anos, eram os únicos que, segundo o relato dela, estavam na casa. O inquérito policial confirmou a hipótese de suicídio e o caso foi arquivado. A família do agricultor nunca aceitou essa versão.

— Meu irmão não tinha motivos pra tirar a vida, ele amava muito o filho. Faz 13 anos, mas, quando Rafael morreu, sentimos tudo de novo — afirma Helena.

O assassinato do menino em Planalto (Alexandra responde por homicídio doloso, quando há intenção de matar) foi o gatilho para a família voltar a lutar pela reabertura da investigação. A advogada criminalista, Maura da Silva Leitzke, pediu o desarquivamento dos autos do inquérito, elaborou análise do perfil criminal, comparando características das duas mortes, e identificou semelhanças entre o caso do garoto, em maio de 2020, e a de José, em 2007.

— Constatamos que as duas mortes têm semelhança que supera os 95% entre a forma de agir, meio e local de execução, instrumentos e tentativa de ocultar os vestígios do crime. A partir daí, contratamos uma perícia particular, que apontou que a morte tem todas as características de uma simulação de suicídio que teria sido praticado por alguém que premedita o crime e que, após, toma todos os cuidados para fazer parecer que se tratou de um suicídio — diz a advogada.

O pedido de desarquivamento do inquérito foi entregue na terça-feira (06/10) por Maura da Silva Leitzke ao Ministério Público (MP) em Farroupilha e reacende as esperanças da família. A defesa de Alexandra nega as novas suspeitas.

— Esperamos que o MP acolha esse pedido e se inicie nova investigação, levando em consideração todas as contradições levantadas e provadas. Os laudos são definitivos para demonstrar não autoria do crime, mas que os fatos de 05 fevereiro de 2007 não se deram da forma como a investigação foi concluída na época — afirma a advogada.

Segundo a família, Alexandra teria se demonstrado indiferente à perda do companheiro no velório e logo teria se recuperado do luto. Vinte dias depois, Alexandra estaria morando com outro homem, alimentando as desconfianças da família sobre a versão do suicídio.

Gaúcha ZH teve acesso ao inquérito da época, que citam depoimentos que mencionariam a existência de um suposto amante de Alexandra e de animosidades entre o casal. — Estas versões não foram investigadas na época. Só mencionadas no inquérito — diz Maura da Silva Leitzke.

“A cena do crime foi preparada”, diz perito:

Natural de Alpestre, José conheceu a então esposa em uma viagem de férias para a casa de um parente, em Planalto. Alexandra era vizinha da tia dele. Os dois se aproximaram. Aos 15 anos, Alexandra engravidou. Ela e José formalizaram a união e o casal passou a viver em Caxias do Sul.

Quatro meses antes de José morrer, ambos haviam se mudado para uma propriedade rural em Linha Julieta, interior de Farroupilha, onde o marido trabalhava como caseiro. Alexandra tinha 19 anos e um filho de três.

No depoimento que deu à polícia em 05 de fevereiro de 2007, Alexandra diz que o marido era fechado, quieto e que havia comprado três garrafas de cachaça horas antes de morrer. Segundo relato dela, por volta das 22h00min da noite anterior, José estava embriagado quando mandou ela deitar. Alexandra conta que teria ido com o filho para o quarto de hóspedes. Minutos depois, teria ouvido o marido fazer barulho e suspirar forte. Assustada, afirma ter ido ao quarto do casal e encontrado o corpo de José pendurado em uma corda de varal azul presa na viga do teto. Para socorrê-lo, subiu na cama, cortou a corda, mas identificou que já estava sem vida. Ligou, então, para o patrão e foi para a casa da vizinha.

O boletim de ocorrência aponta que a Brigada Militar foi acionada por volta de 01h30min do dia 05 de fevereiro. A perícia chegou ao local às 04h00min. O laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) feito na época confirma a presença de sete decigramas de álcool etílico por litro de sangue em José. O exame aponta que o agricultor estava deitado de bruços, próximo à porta do quarto com a corda ainda no pescoço. Um pedaço da mesma corda estava amarrado aos caibros de madeira do forro. Havia pedaços de madeira sobre a cama. — Não se percebia nada que nos indicasse que ali ocorrera algum tipo de luta ou qualquer forma de violência — frisa o laudo de 2007.

O documento conclui ‘com grande margem de certeza’, tratar-se de suicídio. O inquérito iniciado pelo delegado Valdernei Tonete foi finalizado pela delegada Marinês Trevisan, em novembro de 2007, com a conclusão de suicídio. O Ministério Público pediu arquivamento do caso em agosto de 2009, aceito pela Justiça.

Treze anos depois, uma perícia particular contratada pela família revela outra versão para o que teria acontecido naquela noite. O novo laudo compara as fotografias do corpo com características obrigatórias de um suicídio como o narrado por Alexandra.

— Me convenci de que foi homicídio pelos elementos técnicos. A cena do crime foi preparada. Ao analisar minuciosamente, é possível ver total incompatibilidade com a cena de um suicídio — afirma o perito Eduardo Llanos, que tem 30 anos de experiência em perícia criminal.

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