
Doutor Alexsander Pretto, médico cardiologista de Tenente Portela, participou do programa Tribuna Popular, onde foi entrevistado pelo jornalista Jalmo Fornari a respeito da pandemia de coronavírus na região.
O médico disse que no dia a dia as informações vão evoluindo, mas que a pandemia atingiu o mundo de uma maneira muito mais forte do que ele imaginava inicialmente, já que as outras cepas deste mesmo vírus, que já foram registradas, eram localizadas em continentes e não evoluíam ao passo de se tornar uma pandemia, como é o caso da atual.
Sobre uma postagem que o médico fez no facebook, onde ele escreveu que a “A chapa vai esquentar nos próximos 45 dias aqui no RS”, ele disse que naturalmente essa época do ano já é de aumento de casos de doenças respiratórias e cardíacas e com o coronavírus subindo na Região Sul do Brasil, a tendência é de tempos preocupantes.
“O que nós queremos é vidas salvas”, disse o médico informando que uma pesquisa publicada em julho, mostra que as pessoas adotando o uso de máscaras, etiquetas de higienes e distanciamento social, já evitaram milhões de mortes e de contaminações.
Sobre a capacidade dos sistema de saúde da região, o médico disse que existem duas situações, aquela em que se aprende caindo e aquela que se apreende antes de cair, e a região tem que se preparar para aprender antes de cair, para que possa se preparar para enfrentar uma possível crise mais séria.
Sobre os leitos de UTI, ele disse que hoje há 10 leitos gerais no HSA e 5 de COVID-19 e 22 respiradores. “O que as pessoas têm que entender é que a UTI-COVID que era preparada para 5 pacientes, dias atrás estava com 7 e a UTI normal, que tem 10 leitos, tinha 7 ocupados, sendo que estamos em meados de julho, ou seja, ainda teremos um tempo pela frente de inverno, por isso, eu afirmo que a chapa vai esquentar”.
O médico disse que esse alerta precisa ser feito agora, enquanto há tempo para tomar decisões, e não esperar chegar a uma situação extrema.
“Quero trazer um alerta para os jovens, população que mais está sendo contaminada no Rio Grande do Sul, mas a população que mais está morrendo são os acima de 60 anos, mas os jovens precisam entender de que para ele também há risco, com dados de mortes entre jovens e até crianças”, disse ele, antes de comentar o fato de os jovens serem carregadores do vírus que acabam, muitas vezes, até sem saber contaminando pessoas dos grupos de risco.
Ele disse que algumas pessoas, como caminhoneiros, profissionais de saúde e funcionários de frigoríficos, deveriam procurar o médico no momento em que aparecessem os primeiros sintomas e até procurar os postos de saúde para fazer os testes mesmo estando assintomáticas.
O médico disse que há uma pesquisa que multiplica por dez o número infectados no mundo. Segundo ele, esse não é o momento de baixar a aguarda.
Ele disse que a teoria de imunidade de rebanho é questionável, sendo que neste momento devemos seguir o que está cientificamente comprovante e isso é, segundo a sua visão, o distanciamento social e o isolamento.
Sobre a invermectina e a cloroquina o médico afirmou que para fabricar uma vacina precisa-se passar por quatro fases e neste momento se está na fase três, o que segundo ele diminuí as expectativas de uma vacina para antes dos próximos seis meses, no mínimo.
Sobre os medicamentos o médico afirmou existem seis pesquisas fortes que mostram que a hidroxicloroquina não tem qualquer efeito contra o Covid-19. O médico disse ainda, que o medicamento aumenta o risco de arritmia cardíaca e ela pode ser fatal, por isso ele, como cadiologista, foi taxativo em dizer que ela está descartada.
Sobre a ivermectina, o médico disse que existem pesquisas que estão mostrando um certo efeito, mas ainda não comprovado. Drº Alex Pretto, disse que da caneta de um médico não deve sair a recomendação de nenhum remédio que não esteja com sua eficácia testada e comprovada, por isso segundo, jamais recomendaria o uso da ivermectina. Ele reforçou que como médico e estudioso do coronavírus desde o inicio, com olhar atento para pesquisas e estudos publicados e andamento, tem convicção que o melhor remédio é o distanciamento social e o isolamento. “Eu não vejo como recomendável o uso da invermectina para o Covid-19”, finalizou o médico.
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