
Em conversa particular com Alexandra Dougokenski, no final da tarde do dia 18 de junho, poucos minutos antes da reconstituição da morte de Rafael Mateus Winques, de 11 anos, em Planalto, o irmão mais velho do menino disse que a mãe deveria falar a verdade aos policiais. O pedido do adolescente de 17 anos está transcrito na decisão da segunda-feira (13/07) da juíza de Planalto, Marilene Parizotto Campagna, que torna a mãe ré por assassinato, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual.
No encontro na Delegacia de Polícia de Planalto, o adolescente se dirige à Alexandra: “Não pela justiça de Deus, mãe! Mãe, tem que falar a verdade, por favor! Por mim e pelo Rafa, mãe”. Na mesma oportunidade, Alexandra conversou com o namorado, que reforça o apelo: “Eles vão descobrir e você vai ter que contar a verdade. É uma injustiça com a vida deste anjo que tá lá em cima. Se tu realmente amava teu filho”. Ele faz um alerta à namorada: “Porque eu te falo, quanto mais tu mentir, mais tu vai te afundar”.
Mesmo com o pedido de ambos, nesta conversa, Alexandra tentou convencê-los de que não tinha responsabilidade pela morte, indicando outras pessoas como possíveis autores do assassinato. Delegados e promotores que trabalharam no caso destacaram, em diversas entrevistas, o poder persuasivo e sedutor de Alexandra ao contar diferentes versões da morte de Rafael aos familiares.
Até aquela data, a mãe sustentava em depoimento à polícia, inclusive, durante a reconstituição do crime, que havia dado dois comprimidos de Diazepam ao filho e que escondeu o corpo de Rafael na casa vizinha, pois achava que ele havia morrido pela medicação. Alegava que o menino estava com a boca roxa e que não apresentava mais sinais vitais.
Mais tarde, laudos do Instituto Geral de Perícias (IGP) comprovaram que aquela dosagem do medicamento não seria suficiente para tirar a vida do garoto de 11 anos e sequer alterar a coloração dos lábios do menino.
Alexandra só viria a mudar a versão, nove dias depois do pedido do filho mais velho, em depoimento em 27 de junho no Palácio da Polícia, em Porto Alegre. Nesta data, a mãe admitiu que matou o menino com uma corda de varal, quando ele estava acordado no quarto, devido à desobediência do garoto.
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