
O crime que deixou perplexa a comunidade regional e repercutiu em todo o Rio Grande do Sul, no Brasil e até no exterior, completa seis anos neste sábado.
De acordo com a Polícia Civil, Bernardo Uglione Boldrini foi morto no dia 04 de abril de 2014 após receber uma superdosagem de Midazolan. A presença do medicamento foi detectada no fígado, nos rins e no estômago do menino de 11 anos.
O corpo da criança foi localizado dez dias após o crime, enterrado sem roupas numa cova rasa no interior de Frederico Westphalen, distante cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde Bernardo vivia com o pai, a madrasta e uma meia irmã. A Polícia Civil chegou ao local da cova depois da indicação feita por uma das envolvidas no fato.
O desaparecimento:
No domingo (06 de abril de 2014), Leandro Boldrini comunicou a Polícia Civil de que seu filho havia desaparecido. Segundo ele, Bernardo teria ido dormir na casa de um amigo na sexta-feira e quando foi buscá-lo descobriu que o garoto não tinha chegado lá.
No decorrer do trabalho para localizar o menino, a investigação descobriu que Graciele Ugulini tinha sido autuada por alta velocidade na estrada entre Tenente Portela e Palmitinho. Em depoimento, o agente rodoviário disse que Bernardo estava no banco de trás do veículo que era conduzido pela madrasta.
Tendo conhecimento de que Graciele e o enteado viajaram até Frederico Westphalen para comprar uma televisão, a Polícia Civil passou a analisar imagens captadas por câmeras de monitoramento até identificar Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta. Foi a ex-assistente social que mostrou onde estava o corpo do menino.
A investigação policial concluiu que o pai e sua companheira consideravam que Bernardo estaria atrapalhando a relação do casal. Já os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz teriam agido motivados pelo dinheiro.
O julgamento dos réus:
Em março de 2019, quase cinco anos após o fato, os quatro acusados de participação na morte de Bernardo Uglione Boldrini foram julgados no Fórum de Três Passos. O júri popular atraiu a atenção de milhares de pessoas e teve ampla cobertura dos meios de comunicação.
Depois de uma semana de julgamento, no início da noite de 15 de março de 2019, a juíza Sucilene Engler Werle proferiu a sentença condenatória dos quatro réus:
- Leandro Boldrini: Foi condenado a 33 anos e oito meses de reclusão.
Do total, 30 anos e oito meses são por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação); dois anos por ocultação de cadáver e um ano por falsidade ideológica.
- Graciele Ugulini: Foi condenada a 34 anos e sete meses de prisão.
Do total, 32 anos e oito meses por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação) e um ano e 11 meses por ocultação de cadáver.
- Edelvânia Wirganovicz: Foi condenada a 22 anos e dez meses de reclusão.
Do total, 21 anos e quatro meses por homicídio qualificado (emprego de veneno e mediante dissimulação), e mais um ano, seis meses e 14 dias por ocultação de cadáver.
- Evandro Wirganovicz: Foi condenado a nove anos e seis meses de prisão.
Do total, oito anos são por homicídio simples e um ano e seis meses por ocultação de cadáver. Como Evandro já cumpriu parte da pena, a Justiça de Três Passos concedeu liberdade condicional.