
As lavouras com soja no Rio Grande do Sul estão acumulando perdas devido à falta de chuvas regulares em momentos decisivos para o bom desenvolvimento das plantas. Um levantamento da Emater-Ascar aponta que os sojicultores gaúchos destinaram aproximadamente 5,9 milhões de hectares na atual safra, o que representa 16% da área total com a oleaginosa no Brasil.
Para o coordenador do Núcleo da APROSOJA de Tupanciretã, José Domingos Lemos Teixeira, as perdas no Estado já estão consolidadas e, mesmo que haja novas chuvas, isso só ajudará a manter o que resta nas lavouras, não tendo chance de recuperação das áreas perdidas. – Se não chover o problema aumentará ainda mais – acrescentou o coordenador da APROSOJA.
A expectativa inicial era de que o Rio Grande do Sul produzisse em torno de 18 milhões de toneladas de soja na safra 2019/2020, no entanto, esse volume poderá cair para 12 milhões de toneladas, o que corresponde a 35 sacas por hectare, em média.
– Isso trará um prejuízo na casa dos R$ 11 bilhões para o Rio Grande do Sul. Isso gera um forte impacto na economia dos pouco mais de 300 municípios que dependem da soja – disse José Domingos Lemos Teixeira. Ele afirma ainda que essa foi uma das piores estiagens deste século para o Estado, com efeitos mais negativos que os registrados nos anos de 2005 e 2011.
Conforme o mais recente Informativo Conjuntural da Emater-Ascar, o desenvolvimento da cultura foi moderado no período da última semana, variando de acordo com a ocorrência das chuvas nas regiões. Nas áreas onde as precipitações atingiram volumes adequados, as perspectivas de produtividade são normais. Já nos locais onde o volume foi menor ou nas quais não ocorreram precipitações, a soja apresenta sintomas de déficit hídrico e aponta para redução na produtividade.