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Frigorifico em Vista Gaúcha: Sócio local diz não acreditar que projeto vá adiante

Carlos Henrique Vargas explica qual a sua participação no projeto

Por: Jonas Martins
04/03/2022 às 11h31 Atualizada em 10/03/2022 às 14h42
Frigorifico em Vista Gaúcha: Sócio local diz não acreditar que projeto vá adiante
Imagens do projeto que constam no site da Avenutri (Foto: Reprodução)

O que dizem os sócios do frigorífico em Vista Gaúcha

Carlos Henrique Vargas

Empresário do ramo farmacêutico de Vista Gaúcha, Carlos Henrique Vargas foi apresentado na época do lançamento do projeto como sócio da empresa que instalaria o frigorifico. Após a primeira reportagem, e antes mesmo ser procurado por nós, Carlos acionou a nossa reportagem e aceitou conceder uma entrevista para esclarecer a sua participação no projeto.

Carlos nos disse que foi procurado por Paulo José Balla e Leandro Rodrigues dos Santos apresentando o projeto para a instalação de um frigorifico grande no município. Eles precisavam de um investidor para pagar o projeto que tinha um custo de R$ 300 mil, como Carlos disse não ter todo o dinheiro foi montado um grupo de cinco pessoas que investiram esse valor em troca de 3% da empresa.

Vargas explicou que o grupo entrou no projeto pensando no melhor para o município, uma vez que era um projeto com potencial para fazer uma grande transformação em Vista Gaúcha. Ele explica que o grupo não faz parte do projeto, já que os 3% somente seriam repassados a partir do momento em que o frigorifico estivesse pronto.

Ele afirmou na entrevista que após o projeto estar com funcionamento essas cinco pessoas seriam nomeadas para cargos executivos na empresa. Ele fez questão de ressaltar que a participação do grupo começaria apenas após o projeto estar em funcionamento e que se por ventura o projeto não acontecesse eles perderiam o valor investido.

O empresário também disse que não tem nenhuma relação com os aportes, que nenhum dinheiro de agricultor passou pela sua conta e que todos os contratos feitos não eram de conhecimento ou passou pelo grupo de investidores ficando a cargo de Paulo José Balla e da equipe dele no Paraná.

Ele disse que não conhecia os empresários antes de ser procurado e que no lançamento foi pessoalizado apenas no seu nome e não nos demais sócios para não aparecer o nome de todo mundo, mais por uma questão de apresentação mesmo, ou seja, segundo, naquele momento ele representava o grupo de investidores.

Questionado se na época da apresentação da proposta havia sido deixado claro que havia uma chance do projeto não sair, Carlos disse que não, que em todo o processo foi deixado claro que estava tudo certo e que o projeto andaria conforme programado, no entanto, Carlos também afirma que se o projeto não saísse, eles tinha consciência que perderiam o valor investido. O empresário afirma que é melhor perder tentando em algo que poderia ser muito bom para todos, do que nem tentar.

Sobre a demora para o projeto entrar em funcionamento, Carlos disse que a justificativa de Paulo José Balla era de que o banco estava segurando em virtude do alto valor. Ele disse que nunca foi cobrado com veemência, uma vez que havia uma movimentação por parte do empresário.

Com a morte de Paulo José Balla, Carlos afirma que Helaine Giraldeli Balla, esposa do empresário, assumiu o comando do projeto. Ele afirma que após a morte do empresário ele não teve mais contato com o grupo do Paraná. Segundo ele, foram feito alguns questionamentos e alguns ela não respondeu e nos que ela respondeu não comvência e então ele deixou de se comunicar com ela e passou a manter um contato apenas com Leandro Rodrigues dos Santos.

Ele nos relatou que Leandro afirmou que esteve em São Paulo buscando investidores e que a ideia é seguir com o projeto, não mais com a magnitude do original, mas que tenha condições para honrar os aportes que foram pagos pelos produtores e demais.

Carlos Henrique disse que não recebeu cobrança dos investidores nos aportes porque eles sabem que ele não fez nada, não induziu ninguém a investir e nem negociou com ninguém.

Quando questionado se ele tinha esperança que o projeto pudesse sair, ele disse que a julgar pelo tempo que passou, não tem mais esperança que o projeto possa acontecer. Ele disse que sempre deixou claro para o Leandro que por mais que não saia o projeto, que o dinheiro seja devolvido para os produtores. Ele afirma que o que ele e o grupo esperam é que ninguém seja lesado com o projeto.

Leandro Rodrigues dos Santos

Nos últimos dias, nossa reportagem tentou uma entrevista com Leandro Rodrigues do Santos, que era o vice-diretor da empresa. Na primeira semana Leandro não atendeu nossa ligação e nem respondeu nossas mensagens.

Após a primeira reportagem ele nos procurou, no entanto, disse apenas que nossa matéria “mentirosa” estava atrapalhando o projeto que ainda estava em andamento e que ele teria naqueles dias viajado a São Paulo para resolver a situação.

Insistimos para fazer uma entrevista, mas ele disse que seu advogado havia recomendado a não nos conceder entrevista, no entanto, afirmou para nós durante a conversa que o Grupo Avenutri não parou o projeto e que estão trabalhando para resolver “problemas criados por terceiros”.

Nesta semana voltamos a entrar em contato com Leandro, para tentarmos uma entrevista e para facilitar enviamos dez perguntas para que ele nos respondesse, se quisesse, por mensagem mesmo. A única reposta que tivemos era de que ele iria avaliar. Não tivemos respostas até o fechamento desta matéria, no entanto, nos mantemos a disposição do mesmo ou de qualquer outro citado nas matérias para o devido espaço de esclarecimento.

Em grupos de produtores, Leandro e outros representantes da empresa têm afirmado duas coisas: a primeira que o projeto segue em andamento e que por mais que tenham ocorrido atrasos ele ainda vai sair e a segunda é de que ele está buscando novos investidores e que o projeto vai andar, mas talvez não mais na magnitude de antes, com um investimento menor. Ele também afirma que os produtores que não querem manter a parceria vão receber o valor dos aportes corrigido pelo índice da poupança.

Após a morte de Paulo José Balla, Leandro Rodrigues dos Santos se tornou a peça central no projeto, uma vez que após isso a presidência da empresa foi transferida para a viúva do empresário. 

Helaine Giraldeli Balla

Após a morte de Paulo José Balla a sua esposa, Helaine Giraldeli Balla passou a ser a responsável pela empresa. Logo após o falecimento, uma nota dava conta de que o projeto continuaria. 

 Pelo que descobrimos, Helaine trabalha ou trabalhava como professora no estado do Paraná e, segundo testemunhas daquele estado, não tem nenhuma experiência no ramo de frigorifico ou similar, apesar de aparecer como sócia da empresa.

Nossa reportagem tentou, sem sucesso, contatá-la na última semana.

 

Fotos: Arquivos pessoais/Facebook

 

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