
Jardel Tamiozzo, de 24 anos e morador de Tenente Portela, era um dos estudantes que ocupavam a embarcação que naufragou por volta das 23 horas desta quarta-feira (06), durante a travessia no Rio Uruguai entre Itapiranga (SC) e Barra do Guarita (RS).
O portelense, que é acadêmico do curso de Agronomia da UCEFF, disse que é comum os estudantes utilizarem os pequenos barcos e que a travessia dura cerca de dois minutos, no máximo. Entretanto, ele revela que havia mais pessoas do que o normal na embarcação na noite de ontem. As autoridades que investigam o acidente afirmaram que aquele tipo de barco tem capacidade para dez tripulantes, mas confirmam que tinha 14 pessoas embarcadas no momento do naufrágio.
O acadêmico de Agronomia acredita que ninguém usava colete salva-vidas e que o piloto do barco não repassou nenhuma orientação quanto à utilização do equipamento. – A correnteza estava forte e a água começou a entrar pela frente e o barco virou quando a água chegou no meio. Quando vi, fiquei debaixo do barco virado e tive de ir até a superfície – explicou Jardel Tamiozzo.
O portelense conta que, ao conseguir chegar na superfície, começou a gritar o nome de sua namorada. Ele lembra que depois de encontrá-la, os dois resolveram ir na direção da correnteza. O casal foi resgatado alguns minutos mais tarde, por outro barco.
– Nossa ideia era não cansar ao nadar contra a correnteza e tentar alcançar um galho ou ir até as margens, mas não foi possível. Assim como a gente, outros colegas foram resgatados por barcos depois de terem nadado por vários minutos. Mas estávamos longe das margens e estava muito escuro – relatou o sobrevivente.
Jardel Tamiozzo disse que todos os tripulantes estavam sentados no barco quando começou o naufrágio. Segundo ele, não foi possível ver o que ocorreu com o estudante Andrei Franchini, de 19 anos e residente em Vista Gaúcha, que segue desaparecido.
O portelense afirma que o trauma foi grande e agradeceu a Deus por, nas suas palavras, ter ‘nascido de novo’.