
Um dos motivos apontados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) como relevantes para a piora das rodovias brasileiras é a má qualidade do asfalto. Segundo a entidade, empresas que atuam em obras rodoviárias têm relatado a diminuição na qualidade da matéria-prima deste derivado de petróleo oferecida no mercado nacional.
Conforme o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, a situação em parte se explica pelo fato de a oferta do produto asfáltico ser dominada por apenas uma empresa, a Petrobras. – As firmas que compram asfalto para as obras rodoviárias têm reclamado de que a qualidade do produto não é boa, e tem piorado a cada ano – reiterou o dirigente, acrescentando que o problema é que apenas a Petrobras atua nesse mercado no Brasil.
Bruno Batista disse ainda que medidas como a abertura para empresas estrangeiras não têm sido suficientes para melhorar a qualidade do cimento asfáltico de petróleo. – Quando se abre para a importação, a Petrobras baixa o preço [do produto], de forma a inviabilizar a concorrência de outras empresas – frisou o diretor executivo. De acordo com a CNT, com a falta de concorrência o preço do cimento asfáltico de petróleo tem se mantido alto.
Em outro estudo, a Confederação Nacional do Transporte mostra os impactos da qualidade do asfalto sobre o transporte rodoviário. A entidade denuncia que o preço do asfalto no Brasil acumulou alta de 108% entre setembro de 2017 e fevereiro de 2019, enquanto o preço do barril de petróleo subiu 33%. Em tese, para a CNT, a cotação do cimento asfáltico de petróleo deveria acompanhar o preço do barril de petróleo.
Ainda segundo a entidade, falta no Brasil uma fiscalização mais eficiente da qualidade do asfalto de suas rodovias. Além disso, falta transparência de dados relativos à fiscalização do produto, no que se refere a suas especificações e sua distribuição.