
Em um encontro na última quarta-feira (04), em Santa Rosa, autoridades políticas e empresários de municípios da Região da Fronteira Noroeste do Rio Grande do Sul, retomaram a mobilização pela construção do Complexo Hidrelétrico de Garabi e Panambi, no Rio Uruguai, na fronteira entre Brasil e Argentina. Alegando possíveis danos sociais e ambientais, a Justiça Federal, desde 2014, suspendeu a concessão de licenças para a instalação do empreendimento.
O presidente da Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGSR) e prefeito de Tuparendi, Leonel Petry, revelou que a entidade emitiu procuração a empresa DGE Energias Renováveis para que represente a AMGSR perante o Governo Federal e Tribunal Regional Federal com informações técnicas sobre os dois projetos.
– Queremos a retomada dos estudos. Se não mostrarem a viabilidade, tudo bem, mas precisamos deles. As barragens devem trazer crescimento econômico para a região – frisou Leonel Petry.
O diretor da DGE Energias Renováveis, Valter Cardeal, afirma que é preciso superar percalços políticos para a execução do projeto. – Com a experiência que temos em empreendimentos como este no Brasil, sabemos que se não fossem questões políticas isso estaria concluído – ressaltou Valter Cardeal. Ele acrescentou que os prefeitos da AMGSR mobilizam outras associações de municípios, como da Região Celeiro e das Missões.
O projeto prevê a construção de duas usinas no Rio Uruguai, em Alecrim e Garruchos. O complexo hidrelétrico terá capacidade para produzir até 2.200 megawatts. O investimento deve alcançar R$ 4 bilhões e vai empregar cerca de dez mil trabalhadores. As cidades de Porto Mauá, no Rio Grande do Sul, e Alba Posse, na Argentina, seriam alagadas. As barragens provocariam o desalojamento de aproximadamente 12,6 mil pessoas.
Um documento do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, elaborado em 2014, afirma que o Rio Uruguai já estaria comprometido em relação a sua capacidade de suporte dos processos ecológicos que garantem a qualidade ambiental. Também é mencionado que outros empreendimentos hidrelétricos existentes ao longo do rio já ocasionam reflexos na qualidade e oxigenação da água, com prejuízos para a fauna e flora. O documento ainda cita que a construção das usinas de Garabi e Panambi poderia resultar no alagamento de uma área do Parque Estadual do Turvo em Derrubadas.