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Autoridades e empresários retomam mobilização pela construção de usinas

Barragens no Rio Uruguai poderão desalojar cerca de 12,6 mil pessoas

Por: Editoria Local
06/09/2019 às 21h37 Atualizada em 10/09/2019 às 21h01
Autoridades e empresários retomam mobilização pela construção de usinas
Documento do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais cita possíveis prejuízos no Parque Estadual do Turvo em Derrubadas (Foto: Jonas Martins)

Em um encontro na última quarta-feira (04), em Santa Rosa, autoridades políticas e empresários de municípios da Região da Fronteira Noroeste do Rio Grande do Sul, retomaram a mobilização pela construção do Complexo Hidrelétrico de Garabi e Panambi, no Rio Uruguai, na fronteira entre Brasil e Argentina. Alegando possíveis danos sociais e ambientais, a Justiça Federal, desde 2014, suspendeu a concessão de licenças para a instalação do empreendimento.

O presidente da Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGSR) e prefeito de Tuparendi, Leonel Petry, revelou que a entidade emitiu procuração a empresa DGE Energias Renováveis para que represente a AMGSR perante o Governo Federal e Tribunal Regional Federal com informações técnicas sobre os dois projetos.

– Queremos a retomada dos estudos. Se não mostrarem a viabilidade, tudo bem, mas precisamos deles. As barragens devem trazer crescimento econômico para a região – frisou Leonel Petry.

O diretor da DGE Energias Renováveis, Valter Cardeal, afirma que é preciso superar percalços políticos para a execução do projeto. – Com a experiência que temos em empreendimentos como este no Brasil, sabemos que se não fossem questões políticas isso estaria concluído – ressaltou Valter Cardeal. Ele acrescentou que os prefeitos da AMGSR mobilizam outras associações de municípios, como da Região Celeiro e das Missões.

O projeto prevê a construção de duas usinas no Rio Uruguai, em Alecrim e Garruchos. O complexo hidrelétrico terá capacidade para produzir até 2.200 megawatts. O investimento deve alcançar R$ 4 bilhões e vai empregar cerca de dez mil trabalhadores. As cidades de Porto Mauá, no Rio Grande do Sul, e Alba Posse, na Argentina, seriam alagadas. As barragens provocariam o desalojamento de aproximadamente 12,6 mil pessoas.

Um documento do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, elaborado em 2014, afirma que o Rio Uruguai já estaria comprometido em relação a sua capacidade de suporte dos processos ecológicos que garantem a qualidade ambiental. Também é mencionado que outros empreendimentos hidrelétricos existentes ao longo do rio já ocasionam reflexos na qualidade e oxigenação da água, com prejuízos para a fauna e flora. O documento ainda cita que a construção das usinas de Garabi e Panambi poderia resultar no alagamento de uma área do Parque Estadual do Turvo em Derrubadas.

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