
Depois de um longo período de espera e apreensão, foi definida nesta semana a data do julgamento de um dos casos criminais mais impactantes registrados em São Gabriel e que repercutiu em todo o Rio Grande do Sul. O júri dos réus envolvidos na morte de Gabriel Marques Cavalheiro está agendado para o dia 29 de junho, com início às 8h30, no Fórum do município.
A definição foi anunciada pela magistrada responsável pela Vara Criminal local. Os três acusados — ex-integrantes da Brigada Militar — responderão por homicídio qualificado, com agravantes relacionados à motivação considerada banal e à dificuldade de defesa da vítima. Eles foram desligados da corporação no ano de 2025.
Os investigados permanecem presos preventivamente desde agosto de 2022, quando o corpo do jovem foi encontrado em um açude na região do Lavapé. Conforme apontam as investigações, a morte teria ocorrido em decorrência de agressões na cabeça, afastando a hipótese inicial de afogamento. A apuração também indica que a vítima já estava sem vida ao ser deixada no local.
No âmbito da Justiça Militar, os acusados foram inocentados, em 2023, da acusação de ocultação de cadáver. Na ocasião, apenas um deles recebeu condenação por falsidade ideológica, com pena de um ano de prisão. Crimes contra a vida, como homicídio, são julgados pela Justiça comum.
Entenda o caso
O corpo de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, foi localizado no dia 19 de agosto de 2022, em uma área rural de São Gabriel. Natural de Guaíba, o jovem estava na região para cumprir o serviço militar obrigatório.
Segundo a denúncia, ele foi abordado por policiais após uma ocorrência relacionada à perturbação do sossego. Durante a ação, teria sido agredido com golpes na cabeça e, posteriormente, colocado em uma viatura. Desde então, não foi mais visto com vida.
Dias depois, o corpo foi encontrado submerso, apresentando sinais de violência. A perícia reforçou que a morte ocorreu antes da vítima ser deixada no local.
A representante legal da família destacou que a realização do júri representa um momento crucial na busca por responsabilização e também levanta discussões sobre a conduta de agentes públicos. Ela ressaltou ainda que o caso não deve ser tratado como isolado, mencionando episódios semelhantes ocorridos posteriormente.
Por outro lado, as defesas dos acusados sustentam a inocência dos clientes e afirmam estar preparadas para apresentar seus argumentos durante o julgamento. Em determinado momento da investigação, um homem chegou a ser apontado como autor do crime, mas essa versão foi descartada após indícios de que ele teria sido pressionado a assumir a culpa.
■ Notícias no WhatsApp:
Receba as notícias do Site Clic Portela no seu telefone celular! Clique aqui e faça parte do nosso grupo de WhatsApp