
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou uma Assembleia Geral Extraordinária nesta quarta-feira, 8 de abril, com os profissionais que prestam serviços no Hospital Divina Providência, em Frederico Westphalen. O encontro teve como objetivo oficializar o posicionamento da categoria diante da crescente insegurança em relação à quitação de honorários e pagamentos de sobreavisos.
Em resposta ao cenário de instabilidade financeira, agravado pela recente intervenção na instituição, os médicos decidiram notificar formalmente a administração interventora e o Poder Executivo Municipal.
Durante a mobilização, as lideranças sindicais destacaram que a categoria médica tem subsidiado o sistema de saúde local, visto que muitos profissionais não recebem os valores oriundos do SUS por procedimentos realizados há meses.
De acordo com o Dr. Milton Luiz da Rocha, delegado regional do Simers, a situação é crítica e envolve parcelamentos de dívidas não honrados e bloqueios de contas que impedem o pagamento de serviços essenciais prestados em fevereiro.
A categoria estabeleceu um prazo de 60 dias para que os gestores regularizem os débitos pendentes, sob o risco de interrupção nas atividades caso a inadimplência persista.
A preocupação das entidades médicas reside na possibilidade de desassistência à população, especialmente para os usuários que dependem exclusivamente do sistema público. O vice-presidente do Simers, Felipe Vasconcelos, ressaltou que a defesa do médico é indissociável da defesa da saúde da comunidade.
O sindicato aponta que a falta de garantias financeiras gera um clima de instabilidade que afeta a retenção de especialistas na instituição, comprometendo a rede de retaguarda necessária para casos complexos que chegam via plantão ou UPA.
– A população precisa ser esclarecida de que nós estamos ajudando a financiar a saúde pública de Frederico Westphalen. Na medida em que tratamos o paciente e não recebemos os valores que o SUS nos paga, o hospital retém esses recursos para sua manutenção. Decidimos em assembleia notificar o município e a intervenção, estabelecendo este prazo de 60 dias, pois não há como manter o serviço em funcionamento se esse tipo de situação perdurar –, afirmou o Dr. Milton Luiz da Rocha.
Além das questões financeiras, o sindicato manifestou repúdio a episódios recentes de agressões e exposições digitais sofridas por profissionais em seu ambiente de trabalho. Segundo o vice-presidente Felipe Vasconcelos, tais ataques desestimulam a atuação médica no hospital, resultando no afastamento de especialistas qualificados.
– Trabalhar sem receber e sob condições adversas penaliza a categoria médica e, consequentemente, a população mais carente. O Simers está presente para mediar um acordo e evitar que o município sofra com períodos de falta de assistência, como já ocorreu em anos anteriores por falta de suporte técnico e financeiro –, declarou Vasconcelos.
A intervenção administrativa no Hospital Divina Providência teve início no fim do mês de março de 2026. Um dos pilares da nova fase é a realização de uma auditoria interna, solicitada pelo Ministério Público, com previsão de conclusão para a primeira quinzena de abril. O levantamento apresentará um raio-X dos processos administrativos das gestões anteriores, servindo de base técnica para as futuras tomadas de decisão.
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