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Lembranças vivas: personagens da nossa terra relembram passado de Tenente Portela

xistiram diversas pessoas que ao longo da história portelense traçaram o progresso e deixaram suas marcas nos registros oficiais e lembranças

Por: Jonas Martins
20/08/2018 às 10h44
Lembranças vivas: personagens da nossa terra relembram passado de Tenente Portela
Fotos: Raiana Silva

A princesa nativa, como é conhecida a cidade de Tenente Portela, distante a 465 quilômetros da Capital gaúcha, completa amanhã (18), 63 anos de emancipação político-administrativa.

Existiram diversas pessoas que ao longo da história portelense traçaram o progresso e deixaram suas marcas nos registros oficiais e lembranças. Nesta edição especial do JP, trazemos histórias de 4 cidadãos, com idade superior a 80 anos, que juntos somam mais de 300 anos de experiências de vida, principalmente dentro da construção dos primórdios do município. São pessoas com expressiva singularidade, acreditadores do passado e precursores do presente.

Seu Ernesto Domingos Sprendor relembra os áureos tempos vividos na comunidade de Pari. O entrevistado menciona que antes de migrar para Tenente Portela, aos 13 anos de idade, morava no interior de Estrela, um lugar desértico sem comércio, diversão ou presença de vizinho. Vir para o vilarejo, foi como sentir-se no paraíso, pois mesmo com a paisagem, união entre famílias fazia a alegria de seus 3 irmãos e pais. 

Os jogos de futebol e serenatas de final de semana são lembranças que Sprendor destaca como marcantes na adolescência e que levará para a vida. Os desfiles de 7 de setembro e os almoços servidos no dia eram eventos sociais únicos e muito esperados por toda comunidade, e que ele e a família prestigiavam todo ano. Sobre a emancipação, Sprendor destaca que expectativa dos moradores aumentava a cada dia que antecedia o plebiscito, e que apenas comentários positivos surgiam nas rodas de conversa. 

O pai de João Antenor, Neiva Isabel e Neiva Carla, Peri Luis Dorneles Leite, de 91 anos, relatou em sua entrevista ao jornal que lembra que ao chegar na cidade logo era possível observar a abundancia em vegetação, existência de alguns comércios, casas construídas de madeira e poucas ruas. Dorneles afirma que a votação era um movimento emancipacionista crescente que conquistou os moradores e até apostou, dias antes da votação, que seriam menos de 20 votos contrários. A aposta estava certa. O Plebiscito foi vitorioso, tendo acusado apenas um voto ao contrário segundo registros. 

Na história, pessoas ficaram marcadas pelas lutas feitas em prol do desenvolvimento da sua comunidade, como é o caso do Padre Albino Busato. Dorneles recorda que esteve presente na chegada do pároco e que suas ações fizeram a diferença e gravaram seu nome na memória de muitos moradores. A mesma afirmação fora feita pelo construtor de um dos primeiros prédios construídos, inclusive a Igreja Matriz, Benito Puntel. 

Advindo de Sobradinho em 1957, dois anos após a emancipação, Puntel diz ter se decepcionado com que o vilarejo, principalmente pela falta de água encanada até as residências e outros fatores que estavam iniciando a serem desenvolvidos. O cinema Cine Castelo, também conhecido como Cine Delcap que anima jovens e adultos com filmes e os dois carros que desfilavam pelas ruas eram alguns fatores que tornaram a cidade interessante. 

A ascensão das construções de prédios e casas de alvenaria, nas quais muitas delas Puntel teve a participação braçal, junto a membros de sua família, foram fatores que vieram após o plebiscito. Ele, aos 85 anos, lembra que auxiliou a construção da atual Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida, e conviveu com o pároco Busato e reconhece a grande representatividade do religioso dentro da comunidade. 

Recorda-se das famílias pioneiras, como Rosa Lopes, Gheller, Parzianello, Fornari, entre outras e empresas como Hotel Morais, Casa Libanesa, Firma Carboni, loja do Seu Manoel Carrard que eram lugares conhecidos da região e que firmaram o giro econômico. O comércio pujante, juntamente com o calçamento nas ruas principais do município são lembranças do mais jovem entre os entrevistados, o cantor Délcio Tavares.

Em visita ao amigo Verno Rheinheimer, na tarde da última quinta-feira (16), Tavares resgatou do túnel do tempo memórias jamais esquecidas e que marcaram seus anos de residência por aqui. Natural de Tenente Portela, aos 65 anos, diz ter grande honra por ter sido coroinha da primeira missa presidida na Igreja Matriz pelo então bispo da Diocese de Frederico Westphalen, Dom João Hoffman

Dentre as lembranças guardadas em seu coração desde a infância estão, o Clube do Guri, um show de talentos onde descobriu a sua vocação, as travessuras para entrar nos jogos do Miraguay de graça e vender pasteis, a serenata por engano na casa do delegado, que após um pum dado e farra feita pelos jovens, gerou detenção de todos, corte dos cabelos longos de Délcio e ainda por cima assistir a missa do domingo de manhã no primeiro banco da igreja e o desenroscar de galhos das linhas telefônicas para a realização de ligações entre municípios. 

Sabendo do passado, nossa equipe questionou os entrevistados sobre o que as novas gerações devem esperar do amanhã. Apesar de temerosos quanto ao caminho futuro, ambos concordam que é preciso acreditar em uma projeção melhor tanto em infraestrutura, relações pessoais. Puntel ressalta que o avanço industrial poderá gerar empregos e atender uma das atuais carências dentro do município. Já Sprendor e Dorneles afirma que é necessário união e ética entre a comunidade em geral, poderá consolidar uma caminhada adiante diferente. E Délcio, com toda sua poesia, afirma que afetividade entre famílias, o carinho e amor entre pessoas num simples gesto de cumprimento na rua precisam voltar a serem cultivados. 

Estão aí dicas para os jovens que acompanham o JP, pois em suas mãos está a decisão a qual caminho a ser trilhado nos próximos anos e ser relembrado em lembranças vivas futuras. 

 

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