
Após seis horas de reconstituição da morte de Rafael Mateus Winques em Planalto, a Polícia Civil esclareceu alguns pontos que foram abordados durante a simulação dos fatos.
Ao conversar com a imprensa, o delegado Eibert Moreira Neto disse acreditar que o menino morreu a partir do momento em que a mãe, Alexandra Dougokenski, 33 anos, começou a movimentá-lo na cama com uma corda, após tê-lo medicado com diazepan. O Instituto Geral de Perícias (IGP) confirma que o remédio foi identificado na urina do garoto.
– Ao que tudo indica e como já foi dito pela própria perícia, a morte se deu por asfixia mecânica. Se o fato ocorreu da forma como ela narrou, ele morreu no trajeto de tração da corda entre a cama e a porta da casa – disse o delegado.
A reprodução começou a partir do momento em que Rafael foi para a cama. Alexandra Dougokenski foi descrevendo cada um dos passos que deu naquela madrugada de 15 de maio, quando o menino morreu. Seu corpo foi encontrado dez dias depois.
– Ela começou narrando quando colocou ele para dormir. E daí ela foi desenvolvendo a linha cronológica do tempo para que tivéssemos a real noção do que aconteceu naquela noite – acrescentou Eibert Moreira Neto.
Entre as 18 e 21 horas, Alexandra Dougokenski foi entrevistada por peritos do IGP na Delegacia de Planalto. O filho de 17 anos também foi ouvido no local, acompanhado do Conselho Tutelar. No segundo momento, entre 21 horas e meia-noite, a mãe foi levada até a casa onde vivia com Rafael e o filho mais velho. Por três horas, ela precisou mostrar aos peritos como o crime aconteceu, de acordo com a sua versão.
Um dos momentos mais sensíveis da perícia foi quando Alexandra Dougokenski saiu da casa e mostrou aos investigadores como arrastou o filho até a residência vizinha e o colocou em uma caixa de papelão. Para recriar o ambiente da noite do fato, o pátio estava completamente escuro e quem acompanhava, em silêncio.
De acordo com Eibert Moreira Neto, há pequenas divergências em relação à reprodução e o primeiro interrogatório da mãe que serão esclarecidas no decorrer do inquérito, principalmente no que diz respeito à forma como ela carregou o menino. Os investigadores também entenderam que não era necessário o adolescente, irmão de Rafael, participar da simulação.
– Ele só ouviu. A versão dele não implica em reprodução. Não teria como reproduzir estes sons. Ele alega ter ouvido muita movimentação na casa desde a meia-noite. Ouvia passos de alguém caminhando na casa, na cozinha, no banheiro, na porta. Viu a luz acender. Ele já tinha esclarecido que se omitiu. Mas a forma que ele relata, essa omissão é irrelevante. Precisamos esclarecer se de fato foi nestes termos. Existe uma relação de respeito entre mãe e filho. Como a mãe já havia repreendido o Rafael naquela noite (pelo uso do celular), ele ficou receoso de fazer algo e também ser repreendido. Nestes termos que ele conta, a princípio a omissão é irrelevante – esclarece o delegado.
Pela complexidade da perícia, o IGP, que tem técnicos dedicados exclusivamente a este caso, acredita que os laudos poderão levar mais de 30 dias para serem concluídos.
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