
Após ouvir o irmão de Rafael Mateus Winques, a Polícia Civil agora está comparando a versão apresentada pela mãe Alexandra Dougokenski com a do filho de 17 anos. A mulher confessou na segunda-feira (15/05) ter matado o menino de 11 anos e escondido o corpo, mas alega que não teve a intenção e que a morte aconteceu por ingestão de medicamentos.
O adolescente afirmou na escuta, realizada na sexta-feira (29/05), que estava dormindo, mas alguns pontos apresentam divergência com o relato da mãe, segundo a investigação. O relatório da escuta especializada foi recebido na segunda-feira (01/06).
O delegado Ercílio Carletti, que conduz a investigação da morte, confirmou que neste momento os policiais estão comparando o relatório da escuta com a confissão da mulher. O delegado ressaltou que há pontos divergentes nos relatos, mas evitou dar detalhes.
– Existem intercorrências, pontos divergentes, que estão sendo analisados. É um material muito extenso, que ainda estamos verificando. O profissional que fez a escuta faz esse relatório, que chegou para nós há pouco – disse Ercílio Carletti.
Alexandra Dougokenski foi ouvida novamente no sábado (30/05) em Porto Alegre, no Palácio da Polícia. Por cerca de sete horas, ela detalhou como, em sua versão, aconteceu o homicídio. A mãe diz que o garoto estava agitado e não queria dormir. E que, por isso, deu a ele dois comprimidos de Diazepam, que teriam provocado a morte. A perícia inicial apontou, no entanto, que o menino foi morto por estrangulamento.
– Existem contradições entre as versões apresentadas que foram abordadas no interrogatório, mas ainda não foram esclarecidas, por isso não posso detalhar ainda – disse o delegado Eibert Moreira Neto, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que também participa da investigação em Planalto desde a semana passada.
O diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), delegado Joerberth Nunes, relatou que o adolescente confirmou que estava dormindo na noite do crime. Alexandra Dougokenski relata que o filho de 17 anos não presenciou nada e que ela sozinha retirou o corpo de Rafael de dentro da casa. O cadáver foi localizado dez dias depois, dentro de uma caixa de papelão, na garagem da moradia vizinha.
– Ele só ratificou o que já havia dito. Que estava dormindo e não viu nada. Só ouviu alguns barulhos. Não sabe nada do fato. Mas estamos cruzando com o outro depoimento – afirmou o delegado Joerberth Nunes.
A escuta especializada do adolescente foi realizada por uma policial de Passo Fundo, que possui treinamento, por se tratar de um menor de 18 anos. O procedimento ocorreu em uma sala da Delegacia da Polícia Civil de Planalto, adaptada para isso. Após ser ouvido, o jovem foi levado pelo Conselho Tutelar de volta para a casa de familiares, onde permanece em outro município.
– Esse procedimento especial tem como objetivo não revitimizar o adolescente, que já passou por uma situação traumática. Por isso, tentamos manter sigilo – afirma o delegado Ercílio Carletti.
A Polícia Civil ainda pedirá a reconstituição do crime, tecnicamente chamada de reprodução simulada dos fatos. Esse pedido, no entanto, somente será realizado após o recebimento dos laudos das outras perícias solicitadas.
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