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Execuções e outros crimes também estão ligados ao tráfico de drogas

Operação ataca presença de facção criminosa que agia na região

Por: Jonas Martins Fonte: Jornal Província
27/07/2018 às 10h12 Atualizada em 27/07/2018 às 10h33
Execuções e outros crimes também estão ligados ao tráfico de drogas
Fotos e Vídeos: Polícia Civil/Divulgação

Uma grande operação policial ocorrida na manhã da última terça-feira, 24, desmantelou a presença na região de uma das mais perigosas facções criminosas do estado do Rio Grande do Sul. “Os Manos”, facção ligada fortemente com o tráfico de drogas, vinha marcando a sua presença e ganhando território na região ao ponto de praticamente institucionalizar e dominar todo o tráfico na Região Celeiro.

Na operação denominada Android e que foi coordenada centralmente pela 22ª Região Policial e que teve um trabalho de investigação que começou no ano de 2017 sob a coordenação do delegado Vilmar Alaídes Schaefer com apoio dos demais delegados e de diversos agentes policiais da região, além da Brigada Militar, culminou com essa grande operação que utilizou 300 agentes da Polícia Civil, 100 da Brigada Militar, 15 da Polícia Rodoviária Federal, com apoio aéreo do helicóptero da Polícia Civil.

Foram cumpridos 104 mandados, dos quais foram presas 45 pessoas, apreendido drogas, armas e munições. Os presos estavam em pelo menos 23 município do Rio Grande do Sul sendo que alguns deles já estavam reclusos e seguiam atuando no tráfico mesmo de dentro de cadeias do estado.

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O delegado Vilmar Alaídes Schaefer acredita que com essas prisões foi possível praticamente desmantelar a presença da facção criminosa na região, já que as investigações, conseguiram identificar toda a estrutura do crime, desde os traficantes até os chefes que comandam a organização criminosa de dentro das cadeias. No período investigatório foram presas outras 62 pessoas e apreendido cerca de 180 quilos de drogas, entre cocaína, crack e maconha.

No dia 28 de abril de 2017 a capa do Jornal Província trazia uma matéria que apontava a presença da facção criminosa em nossa região. A constatação foi feita através de marcas que estavam sendo notadas em diversas cidades da região. A escrita 14.18.12 que indica a posição das letras iniciais da facção no alfabeto, OSM (Os Manos), são pichadas em muros, postes e casas com a intenção de anunciar a presença da facção e marcar território.

Segundo as informações da Polícia Civil, a presença da facção na região aconteceu gradativamente, sendo que os primeiros que foram aliciados para a organização foram pessoas originárias da região e que estavam morando no Vale dos Sinos e Região Metropolitana. Esses, muitos por já terem contato com o mundo do crime, tinham a incumbência de voltar a região e aliciar traficantes locais para que fizessem parte da rede.

Com medo de que o território pudesse ser dominado por outros grupos criminosos, principalmente pelos rivais conhecidos como “Balas na Cara”, outra facção da Região Metropolitana, a quadrilha impôs sua força e se estabeleceu em praticamente todo o território. Inclusive em municípios pequenos com pouco mais de 2 mil habitantes.

Os traficantes locais tinham poucas escolhas: Se aliavam e viravam membros da facção ou estavam fora do negócio, em alguns casos eram simplesmente deixados de fora, em outros, quando havia qualquer resistência, a ordem era executar e passar o controle para alguém que fosse mais “cooperativo”.

A região é estratégica para os criminosos em virtude de ficar próximo da fronteira com a Argentina, o que possibilitaria a atuação dos criminosos além das fronteiras do Brasil, principalmente no que se refere a drogas e contrabando de armas.

A investigação apontou que somente na região noroeste do estado pelo menos 11 pessoas foram executadas desde o ano passado. As pistas que eram encontradas pelos investigadores apontavam para o mesmo lugar. A poderosa facção criminosa, que usa de táticas violentas inclusive na capital, com mortes por execução de corpos que são deixados em porta-malas de carros com diversos disparos de armas de fogo, até crimes mais bárbaros como execuções e desmembramento de rivais e de um tempo para cá crimes com múltiplas vítimas, classificadas popularmente como chacinas.

Embora a maioria dos mandados tenha sido cumprida em residências, os principais alvos da operação estão atrás das grades. Ao longo da apuração, a polícia conseguiu identificar presidiários que seguem comandando ações criminosas de dentro das cadeias. Eles seriam responsáveis por fazer o elo entre o Vale do Sinos e a Região Noroeste. Por isso, também foram cumpridas ordens de prisão preventiva em casas prisionais de ijuí, Charqueadas, Montenegro, Três Passos, Lagoa Vermelha e Carazinho.

— Das principais lideranças do tráfico de drogas, 99% estão no sistema prisional e ocorre, infelizmente, a comunicação com o meio externo, o que acaba incidindo no tráfico e em outros crimes, como execuções e roubos. Essa operação busca justamente frear a proliferação dessas organização criminosa no Interior— afirmou o chefe da Polícia Civil, delegado Emerson Wendt.

Conforme o delegado Vilmar Alaídes Schaefer, as drogas chegavam em nossa região vindo na sua grande maioria de municípios do Vale dos Sinos, aqui os transportadores repassavam para os chamados gerentes regionais que por sua vez tinha a incumbência de repassa-las para os chamados gerentes locais, que eram os contatos em cada cidade e esse dentro dos municípios distribuíam para os traficantes locais que faziam a venda para os usuários.

A Polícia Civil não divulga detalhes das investigações, pois elas ainda prosseguem, mas existe registro inclusive de que a região serve muitas vezes de corredor da entrada de drogas principalmente vindas da Argentina que são transportadas para outras regiões do estado.

Em entrevista no dia da operação o delegado Vilmar Alaídes Schaefer disse que não existe município da região onde não houvesse a presença de criminosos ligados a facção e que muitas vezes a comunidade nem se dava conta da periculosidade desses criminosos.

A Polícia divulga que pelo menos 11 execuções foram ordenadas pela facção na região.

Das execuções registradas na região há casos em Santo Augusto, Coronel Bicaco, Redentora e Tenente Portela. Os criminosos agiam com forte violência para garantir o controle do território, cobrar dívidas e manter os possíveis rivais longe de seu território.

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Em Redentora, no dia 15 de junho, um homem de 21 anos foi executado durante a madrugada quando estava dentro de casa com a mãe e uma irmã menor de idade. Uma pessoa encapuzada entrou no local e disparou contra o jovem. O delegado Vilmar em entrevista ao Tribuna Popular no dia 16 de junho já comentava que o crime tinha fortes possibilidades de ter ligação com o tráfico de drogas. O caso ainda está em investigação. Um familiar do homem executado estaria entre os presos da operação da última terça-feira.

Entre os presos na operação, o Jornal Diário de Dois Irmãos, noticiou que está um homem de Redentora de 26 anos, de iniciais L.S.S, que estava, segundo a publicação, se escondendo naquela cidade, desde a execução ocorrida em Redentora em junho passado. O irmão dele foi morto pela polícia naquela cidade em junho de 2016 quando dirigia uma Saveiro carregada com 120 quilos de maconha.

Em fevereiro do ano passado um casal foi executado dentro de uma casa no Bairro São José também em Redentora. Eles teriam se mudado a poucos dias vindo da região do Vale dos Sinos. A Polícia não divulgou detalhes das investigações, mas uma fonte informou que eles também foram executados por envolvimento com o tráfico de drogas.

Em Tenente Portela houve uma tentativa de execução. O jovem alvejado a tiros sobreviveu e a polícia teve que montar guarda no Hospital Santo Antônio em virtude das chances de que os matadores voltassem para terminar o serviço. Neste caso a Polícia Civil agiu rápido e prendeu os suspeitos pelo crime.

Também no município ainda vive na memória do portelense uma execução dupla ocorrida em frente a um Mini Mercado no Centro da cidade. As investigações apontaram que o verdadeiro alvo seria o dono do estabelecimento e que os mortos foram executados por engano. O verdadeiro alvo foi executado em novembro do ano passado com diversos disparos de armas de fogo. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois no hospital.

Em 25 de maio do ano passado um homem foi morto a tiros no Bairro Caxambu. De acordo com a Brigada Militar (BM), um veículo chegou numa residência por volta das 9h e homens passaram a atirar na vítima que foi socorrida pelo SAMU, mas morreu no hospital poucas horas depois. Conforme a BM, o homem tinha uma vasta ficha criminal e há poucos dias residia em Tenente Portela.

Em Santo Augusto uma execução que já foi confirmada pela polícia Civil como ocorrida por engano, onde um idoso de 62 anos foi morto, quando o alvo seria um vizinho, também teve como autores membros da facção. Assim como um homem encontrado morto em agosto do ano passado com tiro na cabeça, também em Santo Augusto.

Esses foram alguns dos crimes que estão sendo investigados e que podem ter ligação com a atuação dessa organização criminosa em nossa região, o que, mostra a alta periculosidade com que atuavam esses criminosos. A atuação da polícia, pelo menos por hora, conseguiu dar um duro golpe no crescimento da organização em expandir seu território pelo interior do estado.

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