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Popularização da internet muda comportamento da população

Ao passo em que a internet se populariza os hábitos mudam radicalmente na região

Por: Jonas Martins
13/07/2018 às 10h22 Atualizada em 13/07/2018 às 10h28
Popularização da internet muda comportamento da população
Acesso ao mundo virtual acontece cada vez mais cedo

A popularização das redes sociais nos últimos 20 anos fez com que a internet, instrumento criado para a comunicação, se tornasse parceria constante da grande maioria das pessoas que vivem atualmente no mundo. Se inicialmente as chamadas redes sociais tinha como foco o publico jovem, hoje elas já não conhecem barreiras e se espalham de tal maneira que é constante a possibilidade de encontrar usuários que vão desde a mais tenra idade passando pela vida adulta até a velhice.

Fenômenos absolutos como o sucesso da empresa criada por Mark Zuckerberg, criador do Facebook ou por conglomerados que abrangem várias plataformas e ferramentas como o Google, dominaram os mercados de ações e monopolizaram a informação de tal maneira que se tornaram as maiores empresas do mundo.

Por serem canais abertos as plataformas do gêneros tornaram-se paradas obrigatórias para todos os tipos de pessoas e nela são depositadas muitas vezes as suas frustrações a anseios não realizados, sinais que tem ascendido o alerta para os especialistas que tem estudado o impacto das redes sociais no convívio social e no crescente aumento dos casos de suicídios registrados hoje no mundo.

Só para se dimensionar o papel assumido pelas redes sociais como fonte de desabafo do cidadão atualmente, um monitoramento virtual realizado entre abril e maio do ano passado pela agência nova/sb, onde foram capturadas e analisadas 1 230 197 menções ao tema “suicídio” no Brasil dentro das principais redes sociais, mostraram que em relação ao conteúdo, 34,2% eram piadas ou memes. Esse tipo de comentário superou as opiniões (24,4%), as citações (22,1%), as notícias (7,5%), os relatos (6,3%) e os depoimentos (5,5%).

E o pior: 18,3% das postagens avaliadas foram consideradas negativas ou preconceituosas, reforçando tabus ou até incentivando pessoas a atentarem contra a própria vida. Por outro lado, 28,8% das menções demonstravam conscientização sobre o tema e, em 52,8%, não havia um posicionamento claro por parte do autor.

A maioria esmagadora do conteúdo veio do Twitter (94,2%), que deixou para trás Facebook (5%), Youtube e Instagram (0,4% cada). Porém, de modo geral, o suicídio é um tópico periférico na web. Ele muitas vezes se restringe a grupos específicos de conexões — os grandes influenciadores digitais tendem a ficar de fora.

A psicóloga portelense Bruna Caron atenta  que muitas pessoas culpam as redes sociais pelo aumento de suicídios, mas, de fato uma rede social não leva ninguém a cometer o suicídio.  - O suicídio não ocorre de imediato, a pessoa que pensa em suicidar-se dá sinais, que muitas vezes são ignorados pelos amigos e familiares. É por isso que é importante prestarmos atenção no que às pessoas dizem, frases como “tenho vontade de sumir”, “não aguento mais”, “eu queria morrer”, e também nas mudanças de comportamento, isolamento, deixar de praticar um hobby, perda ou ganho de peso repentino, descuido com a aparência e/ou higiene. – Comenta ela sobre o tema. -   Existe a crença de que quem fala que vai se matar, é pra chamar a atenção e que de fato não vai cometer o suicídio, mas, isso não é verdade, se a pessoa já demonstrou o desejo em morrer, é porque está muito próxima em suicidar-se.  Outro fator que é preciso estarmos atentos, sãos os casos de bullying cibernético, quando a pessoa é ridicularizada por meio de postagens ofensivas e compartilhamentos de vídeos e/ou fotos pessoais do individuo, o que pode acarretar em suicídio. – Explica a psicóloga.

Em nossa região não é raro as vezes em que podemos testemunhar através das redes sociais desabafos, lamentações e até mesmo ameaças contra a própria vida. Os textos carregados de informações pessoais vêm repletos de carência e de desespero. Nos comentários as pessoas sempre respondem com palavras de fé e de força. Mesmo com toda a frieza e distância das redes socias ao se deparar com uma postagem dessa forma as pessoas tem a falsa sensação de que ao comentar estão fazendo a sua parte.

Para a psicóloga Bruna Caron (foto abaixo) o aumento ao acesso as redes sociais e a diminuição no circulo de convívio social, visto que hoje as pessoas preferem ficar navegando na internet a sair e interagir com outras pessoas, teve como consequência o aumento da exposição na internet, uma vez que o indivíduo sente a  necessidade de “por pra fora” aquilo que sente e que pensa, e muitas vezes na falta de ter com quem conversar essa necessidade acaba sendo exposta por meio das redes sociais.

Um outro problema que é recorrente e também notado em usuários em nossa região e que em alguns casos inclusive se tornou caso de polícia é a exposição corporal. Os dispositivos móveis que permitem o envio imediato de fotos e vídeos e a postagem na rede mundial de computadores fez com que esse tipo de caso se tornasse cada vez mais banal. Desde pessoas famosas como Carolina Dieckmann até mães de família, até então anônimas, moradoras da região. A dispersão de imagem que possa constranger ou ofender qualquer pessoa é crime previsto em lei e passível de punição, mesmo que a atitude do usuário seja apenas de compartilhar ou passar para frente.

No cenário ainda podemos notar as pessoas que buscam a notabilização ou reconhecimento através da exposição do próprio corpo. Não são raros os casos registrados em que pessoas se expõe de maneira gratuita nas redes sociais, sem pudor ou temor com as consequências futuras.

Bruna Caron ressalta que os motivos que levam as pessoas a se expor são muito pessoais, não têm como generalizar uma resposta para isso.  -  Acredito que a exposição corporal também seja uma forma de auto aceitação ou de busca da aceitação dos demais.  As redes sociais também são uma forma de construção da própria identidade, onde encontramos coisas das quais nos identificamos ou não. – Esclarece ela.

Um estudo global lançado essa semana mostrou que o Brasil é o segundo país do mundo em relação a ofensas cometidas pela internet. Não precisa procurar muito para encontrar amizades que foram desfeitas por causa de uma postagem ou de uma discussão gerada por um conflitoso comentário abordado sobre algum assunto que na grande maioria das vezes tem pouco ou nada de influência na vida as pessoas envolvidas.

Os estudos sobre comportamento digital mostram que as pessoas estão cada vez mais se comportando de maneira menos compreensiva e por serem um espaço livre para o embate, as redes sociais acabam se tornando verdadeiros campos de guerra. 

Sobre este assunto a profissional Bruna Caron alertas que as redes sociais não transformam uma pessoa em má ou boa. -  A diferença de se expressar via internet ou pessoalmente, é que via a internet não precisamos encarar o outro frente a frente, podemos dizer o que pensamos sem receio de uma consequência imediata.  – Comenta a psicóloga. -  As redes sociais facilitam as nossas comunicações, mas, o modo como cada pessoa a usa, é muito individual. – Finaliza ela.

No final a recomendação sobre o uso das redes sociais acaba sendo o mesmo desde que a internet se popularizou no mundo. “Elas são uma importante ferramenta de comunicação, desde que usadas com cuidado e reponsabilidade.”

 

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