
Um novo incêndio registrado em Tenente Portela reabriu a discussão a respeito da necessidade da instalação de algum tipo de guarnição de bombeiros no município.
A discussão não é nova, mas acaba ganhando, naturalmente, maior eco nos momentos em que são registradas ocorrências de incêndios.
Durante essa quinta-feira, nossa reportagem entrou em contato com alguns envolvidos no projeto dos bombeiros em Tenente Portela para saber sobre a viabilidade dessa necessidade tornar-se realidade.
Nossa reportagem tentou ligação para o celular do prefeito de Tenente Portela, Clairton Carboni, diversas vezes durante o dia, mas todas as ligações foram direcionadas diretamente para a caixa de mensagens. No entanto, no mesmo dia, a assessoria de comunicação da prefeitura municipal divulgou uma nota em relação ao assunto.
Ainda em 2015, quando da ocorrência de um incêndio em Tenente Portela, voltaram-se as articulações para a criação de uma guarnição de Bombeiros em Tenente Portela.
Na época, em duas reuniões na prefeitura municipal, dirigida pelo então prefeito Élido Balestrin, PDT, foi estudado o melhor modelo para se instalar uma guarnição em Tenente Portela. Com todas as opções sobre a mesa, os presentes decidiram que a maneira mais rápida e menos burocrática seria a instalação de uma unidade voluntária, a exemplo do que já ocorre em diversas cidades do estado e do Brasil.
Uma comissão foi formada para elaborar um estatuto e demais detalhes técnicos do assunto. O vereador João Antônio Gheller, MDB, que é advogado, prestou assessoria jurídica durante este processo. A VOLUNTERSUL, que é o órgão que congrega os Bombeiros Voluntários do estado, também foi consultada diversas vezes. Um empresário de Tenente Portela inclusive se comprometeu a ceder um espaço, onde por sua conta, construiria uma estrutura inicial para abrigar a guarnição.
O caminhão era o maior empecilho. A VOLUNTERSUL, sinalizava, que a partir da crianção do grupo ajudaria nesta questão.
Após esse processo, foi marcado uma assembleia onde ocorreria a criação da Associação dos Bombeiros Voluntários da Grande Portela, sendo que no dia dessa reunião, o prefeito que até então tinha se mostrado favorável e inclusive encabeçava a inciativa apareceu acompanhado do vereador Itomar Ortolan, MDB, que há tempos vinha prometendo a instalação dos bombeiros em Tenente Portela. Em discurso, estranhamente, ambos disseram que estava tudo certo para a vinda de uma corporação mista em parceria com o estado e que inclusive o caminhão já estava a disposição do município.
A associação até chegou a ser criada e uma diretoria empossada, no entanto, como houve um total desinteresse da administração pública no projeto, ele acabou ficando pelo caminho e a associação não foi oficializada. Algumas reuniões até foram organizadas, inclusive uma delas com a participação do vereador Ortolan, que garantiu que dentro dos próximos meses os bombeiros mistos seriam instalados. Como era inviável as duas ideias correram paralelamente, e a administração havia optado por apoiar os bombeiros mistos, a associação dos bombeiros voluntários saiu de cena.
Após isso a administração municipal de Tenente Portela, já sob o comando de Clairton Carboni, PDT, encabeçou um documento assinado também pelos prefeitos de Redentora, Miraguaí, Derrubadas, Vista Gaúcha e Barra do Guarita onde externava o interesse na abertura da guarnição mista. A partir daquele momento a maioria do grupo inicial foi excluído do processo.
Ainda no ano passado uma fonte no governo do estado já indicava em matéria no Jornal Província que a ideia não era viável. O estado não disponibilizaria um bombeiro militar para trabalhar em Tenente Portela.
Na nota da prefeitura divulgada nesta quinta-feira, o assunto é abordado:
Diz ela, (...) o ano de 2017 iniciou-se o processo de contratação com o Estado, e as cláusulas necessitam ser muito claras. Em 2018 aconteceu o curso de formação na cidade de Três Passos, quando o município viabilizou a participação dos cidadãos portelenses, disponibilizando o transporte e a alimentação nos dias de treinamento. No mês de julho do ano passado, um ofício assinado por 6 prefeitos da microrregião foi encaminhado ao Comando Geral dos Bombeiros da cidade de Ijuí, onde todos se colocavam a disposição para a implantação do Corpo de Bombeiros Misto.
Não obtendo resposta desde então, os municípios de Tenente Portela, Barra do Guarita, Derrubadas, Vista Gaúcha e Miraguaí decidiram buscar outra alternativa. E no dia 15 deste mês de fevereiro o Prefeito Carboni conversou com os demais prefeitos para encaminhar a compra de um caminhão de bombeiros novo, e que este ficaria no Parque de Máquinas da Prefeitura de Tenente Portela contando com motoristas de plantão, e o atendimento se daria através dos cidadãos voluntários de cada município que fizeram o curso no ano passado. O Prefeito Carboni também já buscou informações sobre os veículos que podem atender esta demanda, e esta aquisição gira em torno dos R$ 500 mil. Também estão sendo analisadas linhas de crédito para esta aquisição.
Nesta quinta-feira, 28, o prefeito Carboni esteve reunido com a diretoria da ACI, dentre vários assuntos em pauta, foi apresentado o projeto da aquisição do caminhão, já na parte da tarde o Município de Tenente Portela recebeu por e-mail um ofício em resposta a solicitação feita em julho do ano passado, para o Comando dos Bombeiros de Ijuí, e esta resposta informa que não há conveniência do de instalação de Bombeiro Militar ou Bombeiro Misto no município, por não possuir estrutura para a instalação do mesmo, sugerindo então a criação de Bombeiro Municipal. (...)
Resumindo, a ideia agora é comprar um caminhão que ficará em Tenente Portela com motorista de plantão e será usado em caso de necessidade. Por mais que a nota informe que o atendimento será feito por cidadãos voluntários, que fizeram o curso, ainda não ficou claro se haverá uma regularização como bombeiros voluntários ou municipais. Qualquer atividade de combate ou auxílio de combate a incêndio precisa, legalmente, de autorização e fiscalização dos Bombeiros Militares.
Decidindo-se oficializar em qualquer que seja modalidade, existe uma série de formalidades que precisam ser obedecidas antes de o caminhão poder ser usado efetivamente.
O vereador Itomar Ortolan, disse que tudo está nas mãos do prefeito Calirton Carboni e que a compra do caminhão seria a solução mais viável.
A ACI, por sua vez, disse que vê com bons olhos e com otimismo a vinda do caminhão. O representante da entidade com quem conversamos, Jéferson Megier, disse que a entidade é parceira de qualquer iniciativa para resolver a questão.
A população enquanto isso, aguarda uma solução para a questão, torcendo para que ela não seja apressada somente quando a tragédia ultrapassar o campo material e de perda de patrimonio, e passar para a perda de vidas, efetivamente.