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Correios fecham 11 agências no RS, uma delas em Derrubadas

Medida faz parte do plano de reestruturação da estatal, que enfrenta prejuízos bilionários; moradores reclamam dos impactos e sindicato teme novos fechamentos no Estado.

Por: Marcelino Antunes Fonte: GZH
09/06/2026 às 08h31 Atualizada em 09/06/2026 às 08h43
Correios fecham 11 agências no RS, uma delas em Derrubadas
Fechamento de agências dos Correios no RS ocorreu no final de maio. (Foto: Jeff Botega / Agencia RBS)

Entre o fim de maio e os primeiros dias de junho, os Correios desativaram 11 agências no Rio Grande do Sul. As unidades fechadas estão distribuídas entre Porto Alegre, Caxias do Sul, Gramado, Rio Grande, Triunfo, São Leopoldo e Derrubadas. A medida faz parte do processo de reorganização administrativa da empresa, que busca reduzir despesas diante de uma grave crise financeira.

Na Capital, quatro agências tiveram as atividades encerradas: uma localizada no Foro Central, no bairro Praia de Belas, outra no Campus do Vale da UFRGS, no bairro Agronomia, além de unidades situadas nas avenidas Protásio Alves e Bento Gonçalves. Em Caxias do Sul, os fechamentos atingiram os bairros Ana Rech e Galópolis. As demais cidades afetadas tiveram uma agência desativada cada.

Em nota, os Correios informaram que o atendimento à população continua garantido por meio de outras unidades existentes nos municípios. Apesar disso, moradores e lideranças comunitárias relatam dificuldades causadas pelo encerramento dos serviços, especialmente em regiões mais afastadas dos centros urbanos.

Na zona leste de Porto Alegre, moradores destacam que a antiga agência da Avenida Bento Gonçalves servia como alternativa para retirada de encomendas quando a entrega domiciliar enfrentava dificuldades. Com o fechamento, usuários afirmam que precisarão se deslocar para locais mais distantes, gerando custos adicionais.

Situação semelhante é observada em Ana Rech, distrito de Caxias do Sul. Representantes da comunidade afirmam que a medida afeta principalmente idosos e moradores da área rural, que agora precisarão percorrer trajetos maiores para acessar os serviços postais.

Embora a empresa tenha informado que não há previsão de novos fechamentos nas próximas semanas, o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS) alerta que outras estruturas da estatal podem ser impactadas futuramente. Entre elas estariam centros de distribuição localizados nos bairros Menino Deus e Navegantes, em Porto Alegre.

Déficit bilionário impulsiona mudanças

A reestruturação ocorre em meio a um cenário financeiro delicado. De acordo com o balanço mais recente, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. No ano anterior, as perdas acumuladas chegaram a R$ 8,5 bilhões, mantendo uma sequência de resultados negativos observada desde 2022.

Como parte das medidas para reforçar o caixa, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto ao Tesouro Nacional e anunciou a intenção de fechar cerca de mil das aproximadamente seis mil agências próprias existentes no país. No Rio Grande do Sul, a empresa possui em torno de 500 unidades.

Especialistas apontam que as ações podem aliviar temporariamente a situação financeira, mas destacam que o principal desafio continua sendo a redução das receitas diante do aumento das despesas operacionais e da concorrência com empresas privadas do setor.

Programa de desligamento tem baixa adesão

Outro eixo do plano de recuperação envolve um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). Atualmente, os Correios possuem cerca de 80 mil empregados em todo o Brasil, dos quais aproximadamente 5,1 mil atuam no Rio Grande do Sul.

A expectativa inicial da direção da empresa era alcançar a adesão de 10 mil trabalhadores em 2026 e mais 5 mil em 2027. Entretanto, até agora, pouco mais de 3 mil funcionários aderiram ao programa em âmbito nacional. No Estado, segundo o sindicato da categoria, cerca de 85 empregados optaram pelo desligamento.

Representantes dos trabalhadores atribuem a baixa procura às condições oferecidas no programa, consideradas pouco atrativas em comparação aos valores normalmente recebidos em uma rescisão contratual tradicional.

Em 2025, os Correios já haviam promovido outro PDV, que contou com aproximadamente 3,5 mil adesões. Segundo a empresa, a iniciativa gerou uma economia anual estimada em R$ 750 milhões.

 

 

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