
specialistas ligados à Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul estão avançando em testes de uma solução inovadora para enfrentar o carrapato bovino. A novidade consiste na aplicação de um produto biológico diretamente nas áreas de pastagem, utilizando drones, com experimentos recentes realizados em Hulha Negra.
A proposta, desenvolvida pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor, busca mudar a lógica tradicional de controle. Em vez de tratar os animais com substâncias químicas, a estratégia foca no ambiente onde o parasita se desenvolve durante grande parte do seu ciclo.
Segundo os pesquisadores, atualmente não existem soluções em larga escala voltadas ao combate do carrapato diretamente no campo. A maior parte desses parasitas permanece na vegetação aguardando contato com o gado, mas o controle ainda é feito, em sua maioria, apenas nos animais.
O estudo utiliza micro-organismos naturais do solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de eliminar o carrapato sem causar danos ao rebanho, às pessoas ou ao meio ambiente. Esses agentes são preparados em formulações específicas e distribuídos nas pastagens com auxílio de drones, ampliando a eficiência da aplicação.
A iniciativa, iniciada em 2025, está em fase de testes em condições reais, com acompanhamento constante das áreas analisadas. Duas abordagens estão sendo avaliadas, incluindo a relação entre custo e benefício. A previsão é que os estudos sigam até o inverno, período em que há redução natural da população do parasita, facilitando a análise dos resultados.
O projeto reúne conhecimentos já consolidados na agricultura, como o uso de agentes biológicos no controle de pragas, adaptando-os à pecuária. A pesquisa também considera todas as fases do ciclo do carrapato, tanto no animal quanto no ambiente, garantindo uma visão mais ampla do problema.
No Rio Grande do Sul, a infestação por carrapatos é considerada um desafio histórico, agravado pelas condições climáticas e pela predominância de raças bovinas mais sensíveis ao parasita. Esse cenário levou ao uso intensivo de produtos químicos, o que tem contribuído para a perda de eficácia desses métodos ao longo do tempo.
Diante disso, o uso de alternativas biológicas surge como uma estratégia promissora, alinhada às exigências atuais por sustentabilidade, redução de resíduos e maior eficiência no controle sanitário da produção pecuária.
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