
Os anos 80 foram uma década de cores vivas, sons pulsantes e sonhos sem filtro. Era o tempo das fitas cassete girando no walkman, das tardes em frente à TV esperando o videoclipe favorito na MTV e das vitrines repletas de jaquetas com ombreiras, calças justas e tênis de cano alto.
As ruas nas grandes cidades tinham o cheiro da novidade: fliperamas cheios, pôsteres de ídolos colados nas paredes dos quartos e uma moda que mudava tão rápido quanto as músicas que lideravam as paradas de sucesso. A arte deixava os museus para ganhar as ruas com murais e grafites vibrantes, enquanto o cinema nos transportava para viagens no tempo, aventuras espaciais e histórias maiores que a vida.
Foi também a década em que o mundo começou a “encolher” — não no tamanho, mas na distância — com a chegada dos computadores pessoais e dos primeiros videogames caseiros. Vivíamos no compasso da curiosidade, embalados por uma trilha sonora inesquecível, em que cada canção parecia falar diretamente com a nossa alma.
Por aqui, na pequena Tenente Portela, os anos 80 foram tempos vibrantes e cheios de lembranças que até hoje despertam sorrisos. Era a época dos grandes carnavais no C.R.C. Comercial, dos circuitos regionais e do orgulho municipal com o grupo Chegança. Na boate Balanga, também no C.R.C., dançávamos e sonhávamos ao som da discoteca e dos rocks que embalaram toda uma geração.
As ruas começavam a ganhar ares de cidade grande com a chegada das primeiras pavimentações asfálticas. Até então, predominavam os paralelepípedos irregulares e, em muitos pontos, o cascalho. Os encontros no Chalé proporcionavam o divertido e bem-humorado “confronto” entre a Antártica e a Brahma — para alguns, a Brahma era “da direita” e a Antártica, “da esquerda”.
O Cine Delcap funcionava a todo vapor, com filas na bilheteria nos fins de semana e as famosas sessões de quarta-feira para quem “matava aula”. As motocicletas conquistavam espaço entre os jovens e, nesse clima, nascia o Moto Clube Bronko.
A necessidade de mais educação fez surgir a Escola Sepé Tiaraju, inspirada no voluntarismo e no heroísmo do índio Sepé. Alguns lugares se tornaram clássicos e inesquecíveis: o Bar do Schimith, o Cachorrão do Tintio e o Bar do Vande. Não havia celular e nem telefone em todas as casas, mas todos se conheciam.
A Rádio Municipal marcava época com programas icônicos como Não Diga Nem Não Nem Né, apresentado pelo Lavarda, e o Festival de Violeiros, com a inesquecível apresentação diária do Aldair Ferreira. Foram anos da criação do Hino de Portela, dos shows do Wanderlei Picolo e do surgimento da Casa da Cultura.
O futebol vivia mudanças: o Miraguaí, após as glórias dos anos 60, estava em recesso, abrindo espaço para a APORFOL e o Ypiranga. E quem viveu, lembra com carinho das tardes ensolaradas na piscina do Ypiranga, ponto de encontro da juventude.
Na política, o Brasil voltava a respirar democracia, e nós, portelenses, voltávamos a escolher nosso prefeito — que até então era indicado pelo governo e não pelo voto popular.
Anos 80… quantas histórias, quantas lembranças, quantas saudades. Uma época de sonhos, mudanças e encontros, que segue viva na memória e no coração de quem a viveu intensamente.