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Especiais Semeando nas Aldeias

Programa vai priorizar a segurança alimentar de famílias indígenas no Rio Grande do Sul

Iniciativa é da Emater-Ascar em parceria com a SEAPDR

17/04/2021 16h10 Atualizada há 3 semanas
Por: Diones Roberto Becker Fonte: Emater-Ascar
Programa irá ampliar o acesso a alimentos para famílias das etnias Charrua, Guarani e Kaingang (Foto: Diones Roberto Becker)
Programa irá ampliar o acesso a alimentos para famílias das etnias Charrua, Guarani e Kaingang (Foto: Diones Roberto Becker)

Com o objetivo de ampliar o acesso a alimentos e minimizar os impactos sociais e econômicos da pandemia de Covid-19 sofridos pelas famílias Charrua, Guarani e Kaingang no Rio Grande do Sul, a Emater-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR), lança, neste mês de abril, o projeto ‘Semeando nas Aldeias’. Além da distribuição de sementes de hortaliças, beneficiando 5.260 famílias indígenas das etnias Charrua (17), Guarani (921) e Kaingang (4.322), que vivem em 150 aldeias, localizadas em 67 municípios do Estado, algumas famílias também receberão sementes de milho e de feijão.

De acordo com a antropóloga e responsável pela Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (ATERS) a Povos Indígenas da Emater-Ascar, Mariana de Andrade Soares, as sementes já foram adquiridas com recursos da SEAPDR, e as famílias indígenas serão assessoradas pelos extensionistas da Emater-Ascar, buscando sensibilizar e orientar sobre o cultivo das espécies e os benefícios nutricionais da diversificação das suas dietas alimentares.

Cada família indígena receberá um kit de sementes de hortaliças, pacote de dez gramas cada, com as seguintes espécies: Abóbora xingó jacarezinho casca grossa, melancia crimson sweet, melão hales best jumbo, morango enrugado barão, moranga de mesa (exposição) e repolho chato de quintal.

Ao longo do ano de 2021, de acordo com o planejamento das ações nas aldeias, os extensionistas rurais e as famílias indígenas terão à sua disposição materiais técnicos, elaborados em linguagem simples e objetiva, com imagens ilustrativas, em formato digital. O material é composto por fichas com orientações sobre horticultura, compostagem e o cultivo adequado de cada espécie distribuída nas aldeias, além de informações sobre os seus benefícios nutricionais, incluindo receitas que valorizam e enriquecem os alimentos tradicionais já consumidos pelas famílias indígenas.

Serão contempladas nesse projeto, famílias indígenas que vivem em situação de acampamento, o total de famílias pertencentes à etnia Charrua e Guarani e, no caso das famílias que vivem nas reservas ou terras indígenas demarcadas da etnia Kaingang, serão beneficiadas as famílias que estão em situação de extrema pobreza, que já acessaram ou estão acessando o Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais.

A maioria das famílias indígenas produz ou dispõe de parte dos alimentos consumidos (incluindo caça e coleta), porém não em quantidade suficiente e regular, dependendo, muitas vezes, de complementação externa, o que provoca o aumento da ingestão de alimentos industrializados. Essas mudanças na dieta alimentar vêm impactando a vida das famílias indígenas, agravando a ocorrência de doenças, como hipertensão, obesidade, diabetes e câncer.

Para Mariana de Andrade Soares, essa iniciativa da Emater-Ascar e do Governo do Estado, através da SEAPDR, vem somar esforços para viabilizar e/ou ampliar a autonomia das famílias indígenas na produção e diversificação de alimentos limpos e saudáveis para o autoconsumo, contribuindo para a sua segurança e soberania alimentar e nutricional, sua renda não-monetária e a melhoria das suas condições de vida. A expectativa é que o projeto ‘Semeando nas Aldeias’ seja lançado ainda em abril, no chamado Mês Indígena (em função da data 19 de abril, Dia do Índio). Já está sendo organizada a logística de entrega das sementes nos municípios e, posteriormente, nas aldeias beneficiadas, no período de cultivo das espécies no segundo semestre de 2021.

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