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As campanhas políticas do Professor

Dificilmente alguém deixava de votar nele

Por: Jalmo Fornari
13/11/2024 às 17h07
As campanhas políticas do Professor

 

Um professor que, por vários anos, foi vereador em nossa comarca, tinha métodos muito particulares para fazer suas campanhas e angariar a simpatia das famílias para seus objetivos eleitorais. Lembro que, um dia, em uma viagem à capital, ele, entusiasmado, nos revelou alguns de seus truques infalíveis para conseguir sensibilizar algumas famílias a votarem nele, passo a relatar um deles.

Segundo o mestre de escola rural, nos períodos de campanhas eleitorais, ele, com muita discrição e sem querer ser notado, visitava os cemitérios das comunidades do interior e anotava em um caderninho as datas de falecimento das pessoas importantes do lugar, impressas nas lápides. Registrava primeiro o nome das famílias, depois o do falecido e, por fim, verificava se havia descendentes ainda morando nas redondezas. Com tudo organizado em seu caderninho, ele partia à caça de votos.

Quando chegava ao lar de uma determinada família — previamente selecionada, geralmente pessoas que ele conhecia —, com uma expressão de tristeza que só ele sabia fazer e aparentando muito pesar, respondia assim à quase invariável saudação alegre do dono da casa:

— Olá, como vai? Tudo bem! Que bons ventos o trazem aqui, professor?

Contrariando a expectativa do dono da casa, o professor respondia:

— Boa tarde! Respondendo à sua pergunta, porém hoje não estou muito bem. Estou com uma enorme saudade.

— Ora, professor! Posso ajudar? Aconteceu alguma coisa?

Ao que ele, prontamente e de forma lamuriosa, respondia:

— Hoje é um dia triste, acho que para nós dois.

— Mas, ora, homem! Por quê?

— Não vá me dizer que já esqueceu? Hoje fazem 13 anos que faleceu o seu pai, um dos meus inesquecíveis amigos...

Mudavam os nomes, a data e o local, mas a história era repetida na essência.

Diante de tal situação, o dono da casa se retraía, perdia de imediato a alegria e ficava impressionado. Começava a imaginar que, ele, sendo filho, sequer havia lembrado que aquele dia marcava o aniversário de falecimento do pai. Concluía também que o professor, sim, era um homem altruísta e solidário, qualidades que, infelizmente, naquela altura, o colocavam no papel de filho ingrato.

Passado o desconforto inicial, a conclusão era sempre a mesma: como não votar em um homem que sequer é parente e, mesmo assim, mantém tão viva a memória do seu pai? 

Assim, de casa em casa, de aniversário de morte em aniversário de morte, nosso solidário vereador fazia sua bem-sucedida campanha.

Por anos, a fórmula deu certo.

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Jalmo Fornari
Jalmo Fornari
Jalmo Fornari é diretor-proprietário do Sistema Província de Comunicação. Jornalista já atuou nos principais veículo de comunicação do Rio Grande do Sul, como as rádios Gaúcha e Guaíba. Também é advogado com pós graduação em direito previdenciário. Como político foi vereador em Tenente Portela por diversos mandatos, tendo ocupado por diversos momentos o cargo de prefeito. Nesta coluna você acompanha crônicas, textos e memórias.
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