
A sessão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), que iria apreciar a solicitação de transferência do local do júri dos quatro réus do caso Bernardo, aconteceria no último dia 15 de agosto, mas foi cancelada porque um dos desembargadores ficou doente.
O pedido de desaforamento foi apresentado pela Juíza Sucilene Engler Werle, responsável pelo processo. Por meio da solicitação, a magistrada pretende que Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz, sejam julgados em Porto Alegre.
No entendimento da Juíza de Direito, a mudança de cidade é necessária para garantir a ordem pública, a imparcialidade do julgamento e a segurança dos acusados. – Não há como identificar se algum dos possíveis jurados, que serão sorteados na sessão plenária, não participou das manifestações anteriormente realizadas em Três Passos; não tenha se manifestado nas redes sociais sobre o fato ou que tenha algum vínculo com as pessoas ouvidas na fase inquisitorial e processual, o que causa a dúvida sobre a imparcialidade do júri – frisou a magistrada no pedido encaminhado em junho deste ano.
Nesta semana, o TJ-RS anunciou que foi agendada para o dia 07 de novembro a sessão que decidirá aonde acontecerá o júri dos acusados de matar o menino em abril de 2014.
O processo:
A Juíza Sucilene Engler Werle é a quarta magistrada a conduzir o processo criminal. Os três anteriores também pediram o desaforamento da Comarca de Três Passos.
O Ministério Público (MP) e os advogados dos réus já apresentaram as listas de testemunhas, que totalizam 29 pessoas. Em abril deste ano, a Juíza Sucilene Engler Werle apreciou os últimos pedidos das partes antes de marcar o júri.
O caso:
De acordo com a investigação da Polícia Civil, Bernardo Uglione Boldrini foi morto em 04 de abril de 2014. O corpo da criança de 11 anos foi encontrado enterrado dez dias depois, no interior de Frederico Westphalen.
No dia 15 de abril de 2014, Leandro Boldrini, Graciele Ugulini e Edelvânia Wirganovicz foram presos. Em maio daquele ano, Evandro Wirganovicz também foi preso. No mesmo mês, Leandro, Graciele e Edelvânia acabaram denunciados por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima). Os quatro foram denunciados, ainda, por ocultação de cadáver. O médico responde também por falsidade ideológica.
Em agosto de 2015, o Juiz Marcos Agostini decidiu que os réus seriam julgados pelo Tribunal do Júri. Em outubro de 2016, o 1° Grupo Criminal do TJ-RS manteve a sentença de pronúncia. Em abril de 2017, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso de Leandro Boldrini, mantendo o júri.