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Câmara aprova PEC do novo FUNDEB em 2º turno e amplia verba federal na educação básica

Texto base da proposta foi aprovado em segundo turno por 492 votos a seis, além de uma abstenção

Por: Fonte: Agência Câmara de Notícias
22/07/2020 às 10h41 Atualizada em 22/07/2020 às 15h38
Câmara aprova PEC do novo FUNDEB em 2º turno e amplia verba federal na educação básica

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (21/07), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 15/15, que torna permanente o Fundo de Desenvolvimento e Valorização dos Profissionais de Educação (FUNDEB) e eleva a participação da União no financiamento da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio. 

O texto-base da proposta foi aprovado em segundo turno por 492 votos a seis, além de uma abstenção. Pouco antes, no primeiro turno, o placar da votação foi de 499 votos a sete. A PEC seguirá para o Senado.

– Milhares de jovens estão fora da escola, não têm trabalho e não acreditam que essa escola pode melhorar a sua vida – lamentou a relatora, deputada professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO). O novo texto, segundo ela, busca reduzir essa desigualdade. – Não tem sentido uma criança ter R$ 19 mil de custo por ano e outra que não chega a R$ 2 mil em vários municípios brasileiros. Não é esse o país que nós queremos – completou a parlamentar.

A deputada ressaltou ainda que a aprovação do parecer só foi possível graças ao diálogo e ao empenho dos deputados e vai assegurar, de maneira especial, num país que tem hoje 6,5 milhões crianças fora na escola, que a educação infantil, pela primeira vez, terá prioridade, e prioridade se faz com financiamento, com recursos, com investimentos. 

Aumento gradativo:

Segundo o parecer da professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), a contribuição da União para o FUNDEB crescerá de forma gradativa de 2021 a 2026, de forma a substituir o modelo cuja vigência acaba em dezembro. 

Nos próximos seis anos, a parcela da União deverá passar dos atuais 10% para 23% do total do FUNDEB, por meio de acréscimos anuais. Assim, em 2021 começará com 12%; passando para 15% em 2022; 17% em 2023; 19% em 2024; 21% em 2025; e 23% em 2026. 

Os valores colocados pelo Governo Federal continuarão a ser distribuídos para os entes federativos que não alcançarem o valor anual mínimo aplicado por aluno na educação. Da mesma forma, o fundo continuará recebendo o equivalente a 20% dos impostos municipais e estaduais e das transferências constitucionais de parte dos tributos federais. 

Em 2019, o FUNDEB distribuiu R$ 156,3 bilhões para a rede pública. Atualmente, o fundo garante dois terços dos recursos que os municípios investem em educação. Os repasses da União, que representam 10% do fundo, não entram no teto de gastos (Emenda Constitucional nº 95/16).

Desigualdades regionais:

Dos 13 pontos percentuais a mais que a União deverá colocar no FUNDEB, 10,5 pontos deverão complementar cada rede de ensino municipal, distrital ou estadual sempre que o Valor Anual Total por Aluno (VAAT) não atingir o mínimo definido nacionalmente. A intenção é diminuir desigualdades regionais no recebimento do apoio. 

Após acordo com o governo, pelo menos metade do dinheiro deverá ser destinado à educação básica, se for o caso, inclusive para escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas. Segundo a relatora, a medida terá grande impacto, já que a educação infantil concentra a maior demanda não atendida pela rede pública no país. 

Além do montante colocado por estados e municípios no FUNDEB, o cálculo do VAAT deverá levar em conta os outros recursos direcionados à educação, as cotas estaduais e municipais de arrecadação do salário-educação e o complemento da União segundo os critérios atuais (Valor Anual por Aluno). 

Lei futura deverá definir vários detalhes sobre o FUNDEB, inclusive o cálculo do VAAT, para o qual a PEC já define parâmetros. Outra regra determina que, no mínimo, 70% dos recursos extras poderão pagar salários dos profissionais da educação. Hoje, esse piso é de 60% e só beneficia professores, e pelo menos 15% terão de custear investimentos nas escolas. 

Ainda em relação aos professores, uma lei específica definirá o piso salarial nacional para a educação básica pública. A partir da vigência da futura emenda constitucional, fica explícito que o dinheiro do FUNDEB não poderá ser usado para pagar aposentadorias e pensões. 

Gestão e qualidade:

Os outros 2,5 pontos percentuais que a União deverá colocar a mais no FUNDEB serão distribuídos às redes públicas que cumprirem requisitos de melhoria na gestão previstos em lei e atingirem indicadores de aprendizagem com redução das desigualdades, nos termos do sistema nacional de avaliação da educação básica. 

Entretanto, conforme o texto aprovado, essa parte do repasse extra da União começará apenas em 2023 (no equivalente a 0,75 ponto), será ampliada ano a ano e atingirá a integralidade dos 2,5 pontos a partir de 2026. 

Os entes federativos deverão usar os recursos do FUNDEB exclusivamente em sua atuação prioritária definida na Constituição: os municípios cuidam da educação infantil e do ensino fundamental; e os estados, do ensino fundamental e médio. Assim, o dinheiro não poderá ser aplicado, por exemplo, em universidades. 

Para cumprirem o montante mínimo de 25% dos impostos investidos anualmente em educação, também conforme a Constituição, estados e municípios poderão contar somente com 30% do total repassado pela União. Nenhum ente federativo poderá reter os repasses vinculados ao FUNDEB, sob pena de crime de responsabilidade. 

Em relação aos tributos de estados e municípios que compõem as fontes do FUNDEB, foi aprovado destaque, apresentado por nove partidos, que alterou o parecer da deputada professora Dorinha. Assim, continuam de fora os recursos oriundos da compensação da União pela desoneração das exportações prevista na Lei Kandir (Lei Complementar nº 87/96). 

Regulamentação:

A lei que regulamentará o novo FUNDEB deverá levar em conta as metas do Plano Nacional de Educação; o valor anual por aluno investido em cada etapa e modalidade; a transparência e o controle social dos fundos; e o conteúdo e a periodicidade da avaliação dos indicadores de qualidade.

Esse regulamento definirá ponderações relativas ao nível socioeconômico dos estudantes e à disponibilidade de recursos vinculados à educação e o potencial de arrecadação de cada ente federativo. 

Quanto ao padrão mínimo de qualidade do ensino, a referência será o custo aluno qualidade, constante no Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/14), com o objetivo de encontrar o financiamento necessário por estudante para a melhoria da qualidade da educação no Brasil. 

Dados centralizados:

O substitutivo da deputada professora Dorinha determina a centralização dos dados contábeis, orçamentários e fiscais da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. O objetivo é garantir a rastreabilidade e a comparação dos dados para divulgá-los ao público. 

No caso de uma reforma tributária, o texto prevê que deve ser garantida, em cada exercício financeiro, a aplicação dos montantes mínimos em educação por estados, municípios e União equivalentes à média aritmética dos últimos três anos, independentemente da extinção ou substituição de tributos. 

Uma lei deverá regulamentar a fiscalização, a avaliação e o controle das despesas com educação nas esferas estadual, distrital e municipal. 

A partir da publicação da futura emenda constitucional, os estados terão dois anos para vincular parte dos repasses do ICMS para os municípios a indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem e de aumento da equidade. 

Atualmente, os estados repassam parte do ICMS arrecadado (25%) às cidades. A PEC diminui o total repassado proporcionalmente às operações realizadas no território de cada município e aumenta o mesmo tanto no repasse que nova lei estadual deverá vincular às melhorias na educação.

Princípios:

No artigo da Constituição que define os princípios do ensino, a PEC inclui a garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. ​ 

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