
Pelo segundo ano consecutivo, o produtor Ocimar Fréu, da Linha São José, em Frederico Westphalen, vai enfrentar prejuízos em virtude da quebra da safra do milho, causada pela insuficiência de chuvas na região. Com uma área de 22 hectares, ele estima uma perda entre 70% e 80%, já que a expectativa de colheita era de, aproximadamente, 4 mil sacos no total, porém, não deve ultrapassar 30 sacos por hectare.
– Fizemos o plantio no dia 20 de agosto. Entretanto, bem na fase que precisava da chuva, a falta de água está secando todo o milho. Não temos área irrigada, e a perda é irreparável, mesmo que chova nestes dias. No ano passado, nesta mesma época, ocorreu a mesma coisa, perdemos toda a lavoura. Desde que eu me conhecia por gente, todo mundo plantava o milho em agosto que a seca não levava. E nesses dois últimos anos, o sol de novembro e dezembro acabou com as lavouras de milho. Ou seja, quem plantou mais tarde ainda enfrenta uma situação pior –, observa o agricultor.
Conforme o chefe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, engenheiro agrônomo Mateus Stefanello, explica que, em âmbito municipal, é difícil no momento, prever uma estimativa de quebra, porque há duas situações distintas em relação ao plantio do milho.
– Temos o milho que foi plantado entre o início de agosto até o dia 15 de agosto, é um milho bom. Por mais que terá uma perda no final, ainda pode ser considerado de boa produção. Porém, há outra parcela do milho, que foi plantado após o dia 25 de agosto, até 10 de setembro, há perdas acima de 60%. Neste caso, os produtores já estão moendo o milho para silagem, ou seja, é um material de baixa qualidade, porque para uma boa silagem, é preciso ter amido no grão. Mas com a estiagem, vai secando a palha de uma forma tão rápida, que é impossível esperar o momento certo –, avalia Stefanello.
A situação está obrigando aos produtores procurar a Emater para encaminhamento do seguro Proagro. Segundo a Emater, a previsão de chuva, entre 30mm e 40mm, que havia para esta semana, já não se mantém, o que agrava o problema. “Se essa chuva vier, vai amenizar um pouco para finalização do plantio da soja, e para quem plantou nos últimos dias, provavelmente, será feito o replantio”, observou o chefe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de FW.
Região
Também na região, a falta de chuvas, aliada à baixa umidade do ar e presença de ventos está ocasionando uma rápida perda de umidade no solo, de acordo com o gerente da regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Luciano Schwerz. “Isso já está afetando o desenvolvimento das culturas e acarretando em atraso na finalização da implantação das lavouras de soja”, complementa.
O levantamento da regional aponta que, dos 424.110 hectares que deverão ser cultivados com soja na região, 95% da área está semeada e se encontra em fase de germinação ou desenvolvimento vegetativo. Já o milho, destinado a grãos, ocupa uma área de, aproximadamente, 88.110 hectares, enquanto que para silagem são 33.400 hectares, divididos entre 1° e 2° safra. Nestas áreas, cerca de 15% se encontra em estádio vegetativo, 30% em floração e 55% em enchimento de grãos.
– A produtividade da cultura de milho já está comprometida em decorrência da estiagem. Algumas lavouras implantadas no início de agosto com híbridos hiperprecoces estão com bom desenvolvimento. No entanto, as demais áreas apresentam perdas a cada dia que passa, e trazem preocupação para os agricultores. Além da redução na produtividade de grãos, a qualidade da silagem deverá ficar comprometida mais uma vez –, detalha o gerente regional da Emater de FW.
Enquanto isso, os produtores de leite também estão apreensivos com a escassez de chuvas, que tem limitado a produção de forragens e poderá aumentar os custos de produção, em razão da necessidade de complementar a dieta dos animais com outros alimentos.
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