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Cultura Colunista

Feliz Dia das Crianças a Todos Nós!

Por Ingrid Krabe

08/10/2021 às 16h07
Por: Jonas Martins Fonte: Jornal Província
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As crianças de hoje, acostumadas a brinquedos sofisticados e gadgestseletrônicos, nem imaginam o que nós, hoje seus pais e avós, usávamos para brincar nos nossos tempos de infância. A grande maioria das crianças das décadas passadas não podiam contar com presentes caros, às vezes nem baratos, e por isso se contentavam em brincar com coisas improvisadas, itens que as mães jogavam fora, ou objetos simplesmente encontrados na rua.

    Hoje, isso tem o nome pomposo de “brinquedos feitos de objetos reciclados”, mas há 30 ou 40 anos, a gente simplesmente dava novas funções a objetos jogados no lixo.

     De carrinhos feitos de latas vazias até jornal que virava pipa, brinquedos improvisados com os quais crianças de antigamente tinham horas de diversão. Algumas ainda brincam assim nos dias de hoje, mas são muito raras.

     O carrinho de lata, era só pegar e fazer um furo na tampa e no fundo para passar o barbante, encher de areia ou terra e pronto. Alguns incrementavam mais, colocavam muitas latas e de tamanhos diferentes, e o carrinho virava um trem de lata.

     Acredite, uma das diversões mais legais das crianças dos anos 60 e 70 era pegar um pneu velho de carro e sair conduzindo por ai. A gente disputava corridas, ou tinha até um percurso cheio de dificuldades em que se testava a destreza em conduzir o tal pneu. Claro que hoje é mais arriscado sair rodando pneu pelas ruas da cidade.

     Um brinquedo que fazia mito sucesso e que existiam diversas versões, que a gente fazia conforme o que tinha a mão. Geralmente eram latas vazias ou potes de iogurte, que ligados por um barbante, serviam de telefone. Mas o barbante tinha que ficar bem esticado, senão não funcionava.

     Essa é um pouco mais antiga, e era sucesso com as crianças que viviam mais no interior. Espigas de milho se transformavam em bonecas. Finalmente você se tocou porque é que espigas de milho tem cabelos né.

     O futebol sempre esteve no sangue do brasileiro. Uma das provas é que desde criança bem pequenas, queremos chutar alguma coisa. As bolas de meias eram a diversão garantida quando a turminha queria jogar uma pelada e não tinham uma bola de verdade disponível. Também se fazia com o bucho do suíno, deixava secar e depois preenchia com meias velhas e muitas vezes cortava-se um pouco da crina do rabo do cavalo para colocar dentro. Essa última eram muitas vezes, motivo de umas boas varadas nas pernas.

     Muito se espanta hoje em dia ver crianças empinando pipas usando uma carretilha incrementada para a linha. O legal mesmo era enrolar a linha numa lata de óleo, que tinha a dimensão exata para caber na mão e comportar muitos metros de linha. Hoje nem latas de óleo existem mais, é embalagem plásticas. A alegria de empinar pipas era ver qual iria mais alto. Se fazia isso nus potreiros onde não se corria o risco de enroscar na fiação elétrica da rua.

     As crianças nos tempos de outrora tinham muita criatividade: Máquina de escrever eram computadores do passado, que imprimiam enquanto a gente digitava, Ironias a parte, era muito legal fazer uma dobradura de papel que imitava o som de uma máquina de escrever. Para incrementar, a gente até desenhava algumas teclas com letras.

     Funda, atiradeira, estilingue, bodoque. Várias são as denominações desta “arma” que segundo reza a lenda, David derrubou Golias. No meu tempo, feita por nós mesmos com uma boa forquilha, borrachas de câmara de pneus e um pedaço de couro, era apenas um divertimento para espantar os passarinhos. Dificilmente a piazada acertava um bodocaço. Hoje em dia, os pais acertadamente, desaconselham tal brinquedo e a velha funda é usada apenas para atirar celulares de fora para dentro dos muros dos presídios.

     Ioiô, piorra, pião. Nada de videogames, eletrônicos e outras cositas mais. Era tudo talhado a canivete, por nós mesmos. Tempo bom, não volta mais...


     Tive uma infância que toda a criança deveria ter. Pés descalços, matas, rios, liberdade, carros-de-lomba, bolas-de-gude, bodoques, piões, piorras, gado-de-osso e bolas-de-meia. Sim. Eu sou do tempo das bolas-de-meia, pés descalços, matas, rios, liberdade, carro de lomba, bola de gude, gado de osso.  Brincávamos guri com menina, pura inocência, não existia maldade nem preconceitos.
    Hoje a infância é passada, em sua maior parte, dentro de um apartamento, os brinquedos são eletrônicos. Videogames, celulares, tudo robotizado. Contudo, nenhuma criança de agora trocaria sua infância pela minha (até por que eu não aceitaria tal troca). Assim é a vida. Cada coisa no seu tempo. Mas lhes digo: O contato com a terra, com os animais, são fundamentais na formação das pessoas.
     Feliz Dia das Crianças a Todos Nós que tivemos uma infância que deixou saudades.

Até a próxima.

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Sobre Coluna sobre a cultura e história do Rio Grande do Sul, escrita pela professora Ingrid Krabbe
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