
Chega setembro, mês com tantos simbolismos para nós sul-rio-grandenses: Semana Farroupilha, Dia do Gaúcho, chegada da primavera.
Setembro costuma ser um mês de ventos persistentes, e dependendo do lado que sopra, as cidades são invadidas pelo cheiro de carne assada nos braseiros dos Acampamentos Farroupilhas.
Como no ano anterior este setembro também será um ano atípico na existência do gaúcho, mais um setembro que nos impedirá de celebrar e cultuar da forma que estávamos acostumados e ansiosos para o evento.
Como mudar os meios sem perder os fins?
A esse questionamento vou voltar um pouco no tempo para relembrar a famosa revolução, mas que muitos debocham porque fomos derrotados. Nem sempre se ganha na vida não é mesmo?
Em seu apogeu, o Exército Farroupilha chegou a ter 3,3 mil homens, mas enfrentou com menos de mil guerreiros os 12 mil soldados do pacificador Duque de Caxias. Como ganhar uma revolução baseada na força física e luta desigual com um exército infinitamente menor de homens?
O verdadeiro sentido da Revolução Farroupilha, segundo o historiador Moacyr Flores, foi a liberdade, a luta contra o autoritarismo político como símbolo do mau governo Vanguardista que somos, há mais de 186 anos a gente já cantava a perda das mudanças que seriam necessárias. Será que tivemos grandes avanços nesse sentido?
A luta que a gente trava, agora contra a Pandemia, também é desigual. Estamos perdendo amigos, parentes, familiares e conhecidos. No que devemos nos apegar nesse momento? O Rio Grande pós-revolução ficou despovoado, e a economia arruinada, mas a guerra acentuou nosso espírito regionalista. É nesses valores que a gente deve se inspirar para comemorar o regresso de setembro. Somos destemidos, colaborativos, aguerridos, trabalhadores e peleadores. A gente não se entrega. Façamos valer todos esses diferenciais do povo gaúcho para celebrar o nosso mês.
Sim, como no ano anterior, setembro será diferente. Nossa Semana Farroupilha será mais tecnológica, com lives, shows, tertúlias, palestras, apresentações tudo online, virtual, a distância. Sem a cuia passando de mão em mão, sem encontros presenciais em nossos galpões com os amigos, sem aquele aperto de mão, sem os abraços, danças....
Mas não deixaremos de comemorar, de ritualizar a passagem para um novo tempo. Após os dias frios de inverno, vem a luz e o desabrochar da natureza com seus aromas e sabores primaveril.
Que mantenhamos vivo o espírito festivo dos nossos colonizadores, ainda que em tempos nebulosos. A vida é aqui e agora! E o que podemos fazer para ser feliz neste exato momento?
Comemore a saúde, dance, cante, sorria! Beba a vida! Aprecie o amargo mesmo que solito no mas, para poder saborear a chegada dos novos tempos
Viva Setembro! Viva o agora! Viva a Tradição Gaúcha!
Até a próxima.