
O ano de 2026 começou com um preocupante aumento dos casos de violência contra a mulher na Região Celeiro. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), na última sexta-feira (13), apontam que as ocorrências amparadas pela Lei Maria da Penha cresceram de forma expressiva em comparação com os dois anos anteriores.
Segundo o levantamento, foram registradas 91 ocorrências em janeiro de 2026, contra 63 em 2025 e 81 em 2024 — um aumento de aproximadamente 40% em relação ao ano anterior, configurando o início de ano mais violento dos últimos três anos.
Os registros de janeiro incluem um feminicídio tentado em Tenente Portela, três estupros, 35 lesões corporais e 52 ameaças.
11 municípios acima da média regional
Pela primeira vez nos últimos anos, 11 municípios da Região Celeiro ultrapassaram a média regional, que em janeiro ficou em 1,30 casos por mil mulheres.
Em ordem decrescente, os municípios com índices mais altos foram: Campo Novo, Miraguaí, Redentora, Tiradentes do Sul, Bom Progresso, Sede Nova, Derrubadas, Santo Augusto, Tenente Portela e Coronel Bicaco.
Já Humaitá, Inhacorá e São Martinho se destacaram positivamente por não registrarem nenhuma ocorrência relacionada à Lei Maria da Penha no período.
Três Passos e Redentora lideram em número de casos
Em números absolutos, Três Passos aparece no topo do ranking com 15 registros, sendo oito por ameaças. Logo em seguida vem Redentora, com 12 ocorrências, das quais nove também são por ameaças.
A situação de Campo Novo, Miraguaí e Redentora chama especial atenção das autoridades. Campo Novo terminou 2025 na 12ª colocação e iniciou 2026 como líder em ocorrências. Já Miraguaí, que foi o município mais violento em crimes contra mulheres no ano passado, mantém números elevados e já registra um caso de estupro em 2026. Em Redentora, o crescimento das ocorrências também é motivo de alerta.
Pequenos municípios, grandes preocupações
Por se tratarem de municípios de pequeno porte, o aumento proporcional das taxas de violência é considerado alarmante. Especialistas e autoridades locais defendem ações imediatas de prevenção, reforço nas políticas públicas de proteção e apoio efetivo às vítimas para conter o avanço da violência doméstica.
Essas medidas são vistas como essenciais para impedir que a tendência de queda registrada em anos anteriores seja interrompida, garantindo a segurança e o amparo das mulheres da Região Celeiro.
Metodologia adaptada
Devido à baixa densidade populacional da região, a SSP-RS adotou uma metodologia específica para calcular as taxas: em vez da proporção estadual (por 100 mil habitantes), a análise utiliza a base de mil mulheres, o que permite uma avaliação mais precisa da realidade local.


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