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Por que 2026 deve ser um ano de ressaca para o setor de máquinas agrícolas no RS

o primeiro movimento no campo não será de investimento, mas de pagamento de dívidas

Por: Andre Eberhardt Fonte: GZH
10/12/2025 às 11h50
Por que 2026 deve ser um ano de ressaca para o setor de máquinas agrícolas no RS
(Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS)
Mesmo com a projeção de que o PIB gaúcho deve crescer acima da média nacional em 2026, impulsionado por uma recuperação da agropecuária, a indústria de máquinas agrícolas vive um cenário bem menos animador. E a palavra usada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, para definir o que vem pela frente durante o balanço do ano da entidade na terça-feira (9) é direta: ressaca.
 
— Nosso agricultor está endividado. E, neste momento, não pensa em comprar máquinas agrícolas — resumiu o cenário Bier, referindo-se às quatro estiagens e uma enchente histórica nos últimos cinco anos.
 
O diagnóstico é simples: mesmo que 2025/2026 traga uma safra cheia — cenário que, por ora, segue como aposta dos meteorologistas, dos órgãos oficiais e da Fiergs, apesar da previsão de La Niña — o primeiro movimento no campo não será de investimento, mas de pagamento de dívidas. O alívio de caixa que virá de soja, milho e arroz tende a circular na economia, gerar impostos e impulsionar o PIB, mas não se converterá, de imediato, em novos tratores ou colheitadeiras.
 
 
Além disso, vale lembrar que o ano de 2025 marca, no país, o início de uma recuperação nas vendas do setor, que, em 2024, registrou queda de 24%, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A projeção da entidade é que o ano feche com alta entre 6% e 10%.
 
Economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio explica que o PIB do Rio Grande do Sul deve ter um desempenho acima do nacional muito por conta da agropecuária — setor que pode crescer até 17,6% em 2026 caso se confirmem as boas expectativas de safra.
A indústria, no entanto, enfrenta um quadro diferente, acrescenta Baggio:
 
— A indústria deve crescer apenas 0,8%, muito por conta dos juros altos e do impacto das tarifas nas exportações, especialmente para os Estados Unidos.
 
Ele lembra que a contabilização do PIB olha a quantidade produzida, e não o valor obtido. Ou seja: mesmo que o produtor use a safra para pagar dívidas, o simples fato de haver produto disponível impulsiona o cálculo do PIB.
 
Oportunidades fora do RS
 
O sinal mais positivo para o setor de máquinas agrícolas vem de fora do Rio Grande do Sul. As exportações de máquinas agrícolas para a Argentina aumentaram mais de 50% em 2025, segundo a Fiergs, ajudando a manter parte da indústria aquecida no ano.
 
— A perspectiva boa das lavouras no Brasil e na Argentina movimenta muitos segmentos industriais (incluindo o de máquinas agrícolas) — diz o economista-chefe.
 
Mas há um detalhe importante: apenas 11% da produção de máquinas agrícolas do RS é vendida dentro do próprio Estado. Ou seja, o humor do produtor gaúcho pesa, mas não é o único determinante para o desempenho do setor. Ainda assim, a leitura da Fiergs é que 2026 será um ano mais duro — especialmente pela cautela generalizada no campo.
 
 

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