
A indústria brasileira de calçados registrou, em outubro, a maior queda de empregos para o mês em dez anos, com o fechamento de 1,65 mil vagas, segundo dados da Abicalçados. O setor encerrou o período com 294,22 mil postos diretos, retração de 0,6% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez em 2025, o número total de empregos ficou abaixo do registrado em 2024, indicando perda de fôlego.
O desempenho negativo está diretamente ligado ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que começou a valer em agosto e elevou impostos de importação a níveis históricos. A entidade estima que, se a sobretaxa não cair até o fim do ano, até 8 mil empregos poderão ser perdidos em 2026. Entre os estados mais afetados estão Rio Grande do Sul e São Paulo, principais exportadores para o mercado norte-americano.
O Rio Grande do Sul lidera as demissões, com 910 vagas fechadas apenas em outubro e mais de 1,8 mil cortes desde o início das tarifas. Em São Paulo, foram 152 desligamentos no mês, concentrados no polo de Franca. Mesmo com o cenário adverso, parte das empresas busca evitar demissões, enquanto o setor tenta diversificar mercados e projeta para 2025 um desempenho entre estabilidade e leve queda, dependendo do comportamento das exportações.