
A semana voltou a acirrar os ânimos na Terra Indígena do Guarita em virtude do cacicado. Na terça-feira, Alexandre Ribeiro Mineiro, que presidiu a Comissão Eleitoral permanente durante as eleições ocorridas em fevereiro deste ano, divulgou uma nota na imprensa, onde destituiu do cargo o Cacique Carlinho Alfaiate e entregou o cacicado para Vilmar Sales, que encabeçou a chapa derrotada por Alfaiate no início deste ano.
Alexandre justifica que uma carta compromisso assinada por todos os candidatos a cacique na época das eleições, davam além de poderes para organizar o pleito naquela oportunidade, também função fiscalizatória e poderes inclusive para a comissão retirar o mandato do cacique, caso fosse comprovado alguma irregularidade no exercício do cargo.
Naquele mesmo dia, Alexandre deu posse para Vilmar Sales, dando a esse o comando da Terra Indígena do Guarita.
Ambos (Alexandre e Vilmar) justificam que já ficou comprovada diversas irregularidades cometidas por Alfaiate e que elas estão sendo investigadas pela Polícia Federal e já estão de posse do Ministério Público.
No mesmo dia, Carlinho Alfaiate, em diversas entrevistas em rádios e outros meios de comunicação da região, reiterou diversas vezes que Alexandre Mineiro Ribeiro não tem autonrfidade para cassar o mandato de um cacique, já que a comissão eleitoral permanente teria incumbência apenas de organizar as eleições enquanto a fiscalização e possível destituição de cargo de um cacique deveria seguir os mecanismos legais.
Carlinhos Alfaiate também acusa Alexandre Ribeiro Mineiro de estar criando essa situação porque fazia parte da liderança indígena e foi afastado após inúmeros desvios de conduta. Ele não reconhece a legitimidade de Alexandre para cassar o seu mandato e disse que o Ministério Público Federal está a par da situação.
Vilmar Sales, que foi empossado como Cacique em uma reunião no KM 10, disse ele é o cacique da Terra Indígena do Guarita e que Carlinhos, se quiser, pode procurar seus direitos, pois, quando todos assinaram a carta de intenção e todos ficaram cientes que se cometesse alguma irregularidade poderiam ter cassado o mandato pelo presidente da Comissão Eleitoral Permanente. Ele justificam que há provas irrevogáveis de irregularidades e crimes cometidos pelo Cacique Alfaiate.
Ele também disse que já ingressou com uma ação na justiça para resolver o imbróglio, mas que até que haja uma decisão, por meio da lei, ele é o cacique da Terra Indígena do Guarita.
Ambos, Carlinhos Alfaiate e Vilmar Sales, estão, aparentemente despachando, como caciques. Carlinhos na sede do cacicado instituído por ele na Estiva, interior de Redentora e Vilmar no KM-10.
Dos órgãos externos que atuam junto aos povos indígenas, a Fundação Nacional do Índio disse, extraoficialmente, que não vai se pronunciar, porque não está em suas funções intermediar questões políticas internas se não for solicitado pela comunidade.
Já o Ministério Público Federal que intermediou as eleições no início desse ano, também ainda não se pronunciando oficialmente. O procurador de Palmeira das Missões, Guilherme Van Hombeeck está de férias e deve voltar as atividades na próxima semana.
O Conselho Estadual dos Povos Indígenas do Rio Grande do Sul, CEPI, divulgou uma nota apoiando Carlinhos Alfaiate no cargo. Pelo documento o líderes do conselho dizem não reconhecer a autoridade de Alexandre para tomar as atitudes que tomou.
Alexandre, em resposta disse que a função do Conselho não é interferir nestas questões e que a nota não tem validade.