
A Comissão Especial que analisa o primeiro pedido de impeachment na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) contra o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, e a vice, Daniela Reinehr, aprovou nesta terça-feira (15) o relatório com pedido de de afastamento dos dois. Este pedido é relativo ao aumento dado aos procuradores do estado.
A aprovação foi por unanimidade, com nove votos favoráveis, e sem o nome do ex-secretário de Administração, Jorge Tasca, que também era alvo pedido de afastamento, mas pediu demissão na noite de segunda-feira (14).
O pedido aprovado na comissão especial contra Moisés e Reinerh tem como justificativa um possível crime de responsabilidade cometido ao ser dado aumento salarial aos procuradores do estado, por meio de decisão administrativa, com o intuito de equiparar o salário deles aos dos procuradores da Alesc. O reajuste ocorreu no ano passado. O autor do documento é o defensor público Ralf Zimmer Júnior.
Agora o relatório segue para plenário para votação dos 40 deputados estaduais de Santa Catarina. A votação estava inicialmente prevista para a próxima semana, mas pode ser antecipada para a próxima quinta-feira (17). Segundo a assessoria de imprensa, a data será definida ainda nesta terça-feira (15). São necessários pelo menos 27 votos para aprovação do pedido e dar seguimento ao afastamento. Para se manterem no cargo, Moisés e Daniela precisam de 14 votos.
Na Alesc, tramitam dois processos de impeachment contra Moisés e o pedido para um terceiro foi entregue há uma semana. O mais recente processo de impeachment aceito pede o afastamento do governador e da vice, Daniela Reinerh (sem partido), em razão da compra dos 200 respiradores artificiais e pela tentativa de contratação de um hospital de campanha em Itajaí, no Vale. Os autores da denúncia são 16 pessoas, entre advogados e empresários.
Já o pedido mais recente feito há uma semana e que segue em análise tem como base o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a compra de 200 respiradores com pagamento antecipado de R$ 33 milhões. Os deputados entenderam que o governo foi omisso.
Em entrevista à NSC TV na semana passada, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL) disse que não há motivo para o impeachmet. Ele afirmou que uma "vontade de trocar o governo" está por trás dos dois processos de impeachment contra ele e a vice na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Ele também negou que sabia da forma como foi feita a compra dos 200 respiradores, que posteriormente foi investigada em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), e disse acreditar que tem votos suficientes na Alesc para evitar ser afastado.