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Viva a Nossa Pilcha

Por Ingrid Krabe

Por: Jonas Martins Fonte: Jornal Província
08/04/2022 às 10h35
Viva a Nossa Pilcha
(Foto: mrtprodutora por Pixabay )

A cultura gaúcha está espalhada por todo o Brasil e de modo algum se limita às plagas de um único estado. Em Rondônia, é comum ver famílias dos ditos pioneiros reunidas à volta de uma cuia aos fins de tarde; em São Paulo, as crianças têm aulas de rancheira, maçanico ou chimarrita como manda o “Manual de Danças Gaúchas”; em Roraima, o CTG de Boa Vista é a maior associação civil do estado; em Floripa, 12% da população local é do Rio Grande do Sul.  

A verdade é que, mesmo com essa vocação migratória, os gaúchos são um povo que souberam como ninguém conservar e promover suas raízes e tradições. Nesse sentido, não há nada que se assemelhe em outros movimentos culturais brasileiros – basta pensarmos, por exemplo, que não existe um “Centro de Tradições Cariocas”.  

    Esse apego às raízes revela-se desde as músicas e as danças até as vestimentas. Estas, por sua vez, refletem as necessidades, a cultura e o tipo de vida do povo gaúcho. Tanto assim é que os trajes tradicionais do Rio Grande são objeto de uma lei estadual, datada de janeiro de 1989, que oficializa como traje de honra e de uso preferencial nas terras rio-grandenses, para ambos os sexos, a indumentária denominada de “pilcha gaúcha” ou apenas “pilcha”. Será considerada digna desse nome somente aquela que, com autenticidade, reproduza com elegância, a sobriedade da indumentária histórica dos gaúchos, conforme os ditames do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Esse traje pode mesmo substituir o traje convencional em todos os atos oficiais, públicos ou privados, realizados no estado. 

    No post de hoje prestamos uma homenagem à pilcha. Trazemos dicas imperdíveis para o pachola que não quer fazer feio e revisitamos as principais regras a serem respeitadas na escolha dos componentes dessa vestimenta. Continue a leitura e saiba mais! 

   Historicamente a indumentária gaúcha pode ser dividida em quatro fases: 

• Chiripa primitivo (1730-1820) 

• Braga (1730-1820) 

• Chiripa farroupilha (1820-1865) 

• Bombacha (1865 até dias atuais)  

    Então, sabendo dessas fases, tenha cuidado com a chamada “mambiragem”. Ela acontece quando o pachola usa uma vestimenta desorientada temporalmente. Assim, um exemplo de mambiragem acontece quanto a parte de cima é de 1800 e a parte de baixo, de 1900; ou quando a bota é de 1800 e o pachola apresenta-se à moda de Braga, que não usava bota. A bombacha, outro exemplo, foi introduzida no Rio Grande somente em 1870; assim, se o gaúcho usa esse item, o resto do traje deve ser da mesma época. Por outras palavras, a pilcha deve ser coerente e coordenada. Para isso, é essencial saber o que se está vestindo e a história por detrás de cada peça. 

 Outras dicas muito importantes: é necessário pilchar-se conforme o bolso manda; pilchar-se conforme o clima manda; e pilchar-se conforme o ambiente ao qual se vai. O pachola deve vestir-se de acordo com as suas posses, se não pode adquirir peças tão caras, não é isso que irá tirar o brilho da pilcha. Arrumar-se conforme o clima é essencial. Em janeiro, no verão, não é necessário usar o paletó por cima do traje; no inverno, em julho, não use camisa curta. Do mesmo modo, é necessário ter atenção à adequação ao lugar onde se usa a pilcha. Por exemplo, uma pilcha campeira não deve ser usada em qualquer lugar. Para ir a um fandango ou ao CTG, prefira sempre a pilcha social.  

    Portanto meus amigos, a pilcha que o Professor Edison Luiz Soares Silveira, de 57 anos, de Santa Maria, que segundo uma coordenadora fez o pedido por ele “estar fora de padrão dos demais colegas” estava correta e não tem nenhum Decreto que proíbe o uso da mesma.

            Viva a Pilcha Gaúcha, Viva a nossa Cultura, Viva o Rio Grande.                                                                             

    Até a próxima.

Fontes: – Maragato: A pilcha e seus significados– Diretrizes para a pilcha gaúcha traje atual

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Coluna sobre a cultura e história do Rio Grande do Sul, escrita pela professora Ingrid Krabbe
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