
A Comissão Eleitoral que organizou a eleição para escolha de um novo cacique para a Terra Indígena do Guarita, que culminou com a vitória de Valdonês Joaquim decidiu adiantar a posse para essa quarta-feira, 22 de dezembro, a partir das 18 horas no KM-10. A informação foi repassada pelo presidente da comissão, ,Ricardo Sales.
Sales disse que inicialmente a posse estava prevista para o mês de fevereiro, quando no entendimento de integrantes da comissão, encerra o mandato de Carlinho Alfaiate, no entanto, em virtude de atitudes que estão sendo tomadas por Alfaiate foi decido por bem adiantar a posse para essa quarta-feira e dar efeitos práticos para o resultado do pleito ocorrido no domingo, 19.
Valdonês Joaquim que já foi cacique da Terra Indígena do Guarita, inclusive vencendo um plebiscito em que seu mandato seria vitalício, havia sido afastado do cargo a mando da justiça, após uma condenação criminal. Com a vacância do cargo e com a morte na época do vice Cacique foi realizada uma eleição na qual Carlinho Alfaiate foi eleito para um mandato de quatro anos.
Neste ano uma comissão foi formada para realizar uma nova eleição, no entanto, Alfaiate não reconheceu a legitimidade da comissão, porque segundo ele, seu mandato em um acerto que havia da época da eleição se estenderia até dezembro de 2022. No entendimento da comissão o mandato iria até fevereiro de 2022, já que ele assumiu o cargo em fevereiro de 2018.
A Comissão Eleitora, lidera por Ricardo Sales, abriu tempo para as inscrições de candidatos e manteve o rito da eleição, mesmo sem o reconhecimento de Alfaiate. Inicialmente quatro candidatos se habilitaram para disputar o pleito, no entanto, um desistiu no caminho e três foram para a disputa no último domingo.
Segundo os dados da própria Comissão, 3.947 indígenas estavam aptos a votar, dos quais 2.394 compareceram as urnas, perfazendo um total de 60,27% do eleitorado. Destes, 1.733 votaram em Valdonês Joaquim, 65 votaram em Oséias de Souza e 574 votaram em Constantino Carvalho. Ainda foram registrados 12 votos branco e 10 votos nulos.
Enquanto o pleito estava em andamento, Carlinho Alfaiate e seus aliados se movimentaram e começaram também um processo eleitoral que iniciaria com reuniões em todos os setores, onde cada setor iria escolher um representante para formar uma comissão eleitoral para realizar uma eleição. Em resumo, enquanto Valdonês toma posse hoje, eleito em uma eleição, há um processo em andamento em que se articula outra eleição, além disso, ainda existe o fato de que Carlinhos já deixou claro que não reconhece a eleição do último domingo e garante que ele segue como cacique.
Parte da comunidade teme que essas indefinições acabe por fomentar um novo conflito na Terra Indígena do Guarita. Desde 2018 foram diversas as vezes que a comunidade se viu envolvida em briga pela liderança da comunidade.
Na manhã dessa quarta-feira, Valdonês Joaquim e seu vice, Joel Ribeiro de Freitas, que é também vereador em Redentora, estiveram na sede da Fundação Nacional do Índio, FUNAI em Passo Fundo onde entregaram documentos e assinaram um ato de posse, o que segundo eles, oficializa-os como novos cacique e vice da Terra Indígena do Guarita.
Legalmente a constituição prevê que os povos indígenas têm autonomia para suas organizações internas, como escolha de lideranças e não cabe a nenhuma entidade intervir neste processo a não ser quando, por forças maiores, haja a necessidade de garantia da lei e da ordem.
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