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Parlamento contra a vida

Com 88% da bancada comprometida com o agronegócio, Goiás lidera o ranking dos estados febris, seguido por Mato Grosso, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins, todos com 87% dos deputados em vermelho.

Por: Jonas Martins
23/06/2018 às 17h23
A ONG Repórter Brasil realizou um trabalho curioso, que permite prever a desgraça que está por vir em relação ao meio ambiente no Brasil.
Fez uma avaliação da atuação dos deputados federais em matérias que desrespeitam o meio ambiente. Análise séria, com a ajuda do Instituto Socioambiental (ISA), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados(as) Rurais (Contar), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), do Greenpeace e da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente.
Através do Ruralômetro, instrumento virtual criado para facilitar a análise, foi avaliado o comportamento socioambiental dos deputados federais eleitos em 2014, identificando-se que pelo menos 313 parlamentares estão alinhados com os interesses patrimoniais do agronegócio a qualquer custo. Aprovam tudo o que for favorável ao setor, não importando se causa prejuízo ao meio ambiente ou à saúde.
A mais recente investida da bancada ruralista se relaciona à liberação de agrotóxicos proibidos até mesmo nos países onde são fabricados. E isso ocorrerá muito breve, pois os deputados ruralistas mandam no Brasil.
Segundo o documento resultante da pesquisa, esses deputados sofrem da chamada "febre ruralista", por terem apresentado ou votado a favor de projetos de lei que têm impacto negativo para o meio ambiente e atendem aos interesses do agronegócio.
O levantamento abrange a atuação dos deputados em 14 votações nominais e de 131 projetos de lei, considerando também o impacto das medidas legislativas para trabalhadores rurais e comunidades indígenas.
Para avaliar a postura dos parlamentares em cada votação, as oito entidades atribuíram pontuações, que depois foram convertidas e apresentadas em escala que vai de 36 a 42, equivalente à temperatura corporal.
Quanto pior avaliado o parlamentar, mais alta a sua temperatura. Foram considerados saudáveis aqueles com temperatura entre 36º e 37,3º. Até 38º, estariam com uma "febrícula". Acima de 38,1º, estariam doentes.
Quase a metade (49%) dos diagnosticados com febre faz parte da chamada bancada ruralista, já que os deputados integram oficialmente a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), criada para defender os interesses do agronegócio.
O Ruralômetro identificou que o MDB, PEN, PHS, PSL têm 100% dos seus representantes acometidos pelo mal da febre ruralista. No PSD e DEM, são 94% e 89%, respectivamente, os parlamentares afetados. No PSDB, o mal atinge três a cada quatro deputados.
Quem registrou a mais alta temperatura (42º) foi o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), presidente da FPA, autor de oito projetos lesivos ao meio ambiente, indígenas e trabalhadores rurais.
Com 88% da bancada comprometida com o agronegócio, Goiás lidera o ranking dos estados febris, seguido por Mato Grosso, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins, todos com 87% dos deputados em vermelho.
De acordo com o levantamento, o ano de 2017 foi campeão em votações desfavoráveis ao meio ambiente, entre as quais medidas provisórias (MP) editadas pelo governo de Michel Temer, e aprovadas pelo Congresso, que reduziu áreas protegidas na Amazônia, além da proposta de regularização fundiária que ficou conhecida como MP da Grilagem.
O Ruralômetro aponta, ainda, 288 deputados que receberam doações de empresas multadas pelo Ibama ou incluídas na lista suja do trabalho escravo. Outros 65 parlamentares são devedores do INSS, e cinco foram multados por crimes ambientais.

 

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Nilton Kasctin
Nilton Kasctin
Promotor de Justiça, professor universitário e defensor do meio ambiente e do direito e bem estar do ser humano. Nilton Kasctin dos Santos escreve quinzenalmente no Jornal Província
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