
A história política de Tenente Portela é cheia de reviravoltas, surpresas e disputas acirradas. Quase sempre a história se desdobrou entre a descendência da antiga Arena e do MDB. Desses dois partidos, surgiram tantos outros, mas ainda hoje, habita em parte da população a rivalidade que se criou na política portelense ao longo dos anos.
Tenente Portela emancipou-se de Três Passos em 18 de agosto de 1955, pela Lei 2673, assinada pelo Governador do Estado Ildo Meneghetti, e seu primeiro prefeito foi o engenheiro civil Arthur Ambros. Muita gente ainda se pergunta quem foi esse homem que teve a missão de assumir o comando do município recém-formado?
O jornalista Jalmo Fornari, pesquisador e um dos principais conhecedores da história portelense, em contato com a doutora Maria Luíza Ambros, filha de Arthur Ambros, e que de posse de documentos pessoais e informações anotadas pelo próprio Arthur pode traçar um pouquinho do perfil do primeiro prefeito de Tenente Portela.
Arthur Ambros já havia sido intendente de Guarani das Missões e prefeito de Santa Rosa. Na época da emancipação de Tenente Portela, ele residia com a família em Porto Alegre e já estava se encaminhando para uma “aposentadoria” da vida política, quando foi chamado pelo então governador Ildo Meneghetti, seu amigo, para disputar o comando do município que estava se formando.
Haviam em Portela pelo menos nove pessoas que desejavam assumir a prefeitura em seu nascer, e temendo um confronto político que atrapalharia o desenvolvimento do novo município, o governador buscou um nome experiente que pudesse assumir, acalmar os ânimos e apontar a comunidade para um caminho.
Ambros, segundo a filha, fez apenas uma exigência: queria que seu nome fosse consenso no município. Depois de algumas negociações se definiu então o nome de Arthur Ambros, pai de cinco crianças, morador de Porto Alegre, para assumir a prefeitura de Tenente Portela. Romário Rosa Lopes foi definido como primeiro vice-prefeito de então.
A instalação do município ocorreu em 31 de dezembro de 1955, sendo que segundo a agenda de Arthur Ambros, ele tomou posse no dia seguinte, em 01 de janeiro de 1956.
Ambros era um homem conservador, mas um gestor habilidoso, moderno e inteligente. Durante todo o período em que esteve à frente da prefeitura de Tenente Portela, viajava seguidamente a Porto Alegre, visto que a sua família seguia residindo na capital e sempre fazia isso de ônibus de linha e pagando as passagens com dinheiro do próprio bolso.
A filha disse que, acredita que seu pai tinha como missão apaziguar as forças políticas locais em seu mandato. No ano de 1959, ele teve sua casa invadida em Porto Alegre, e documentos foram furtados, além disso, teve um episódio em que um de seus filhos, ainda criança, sofreu um acidente e com isso ele teria cogitado a possibilidade de renunciar ao cargo.
Em sua agenda aparece anotado que de Porto Alegre, o presidente da Câmara levou o ofício de renúncia em 9 de julho de 1959, no entanto, os documentos, que ainda estão sendo analisados, dão conta que ele deixou o cargo efetivamente em novembro daquele ano.
Os motivos podem ser familiares, mas tudo leva a crer que o Engenheiro Arthur Ambros, que era como ele assinava os documentos oficiais da prefeitura, já tinha cumprido a sua missão por aqui.
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