
A família Amaral, que teve a residência completamente destruída pelo tornado que atingiu o município de Giruá, no Noroeste do Rio Grande do Sul, na última terça-feira (28), afirma estar enfrentando um novo drama após a tragédia. Segundo os familiares, além dos prejuízos provocados pelo fenômeno climático, eles passaram a receber ameaças, sofrer tentativas de extorsão e ainda tiveram que lidar com pessoas tentando saquear o que restou da propriedade.
De acordo com Diandro, irmão de Diele, os problemas começaram logo após a divulgação de uma campanha solidária destinada à reconstrução da casa e à aquisição de roupas, móveis e outros bens perdidos durante a passagem do tornado.
Conforme o relato, em um primeiro momento os criminosos entraram em contato se passando por integrantes de uma facção criminosa, exigindo dinheiro da família. Diante da situação, os familiares procuraram a polícia, quando foram informados de que se tratava de um golpe.
Mesmo após a descoberta da fraude, novas tentativas de extorsão foram registradas. Desta vez, os golpistas passaram a enviar mensagens utilizando indevidamente o nome da Brigada Militar de Giruá, mantendo a pressão sobre a família.
Além das ameaças virtuais, os Amaral também denunciam que pessoas foram flagradas circulando entre os escombros da residência em busca de objetos de valor que pudessem ter resistido à destruição.
Segundo Diandro, indivíduos chegaram a vasculhar o local onde ficava o quarto de sua irmã, procurando joias e outros bens que ainda estivessem entre os destroços. Para ele, a atitude representa uma tentativa de saquear o pouco que restou após a devastação causada pelo tornado.
Apesar das dificuldades, a família segue mobilizada para reconstruir a vida. Uma campanha de arrecadação foi divulgada nas redes sociais, com doações via Pix pela chave 014.977.170-35, em nome de Gilço Amaral Mikocak. Também estão sendo recebidas doações de roupas femininas e masculinas nos tamanhos médio e grande, peças para uma criança de três anos e calçados nos tamanhos 34, 35 e 36 (feminino), 40 e 41 (masculino) e 24 (infantil).
Diandro agradeceu o apoio recebido até o momento e destacou que a solidariedade da população tem sido fundamental para a família enfrentar este momento difícil, ressaltando que a corrente de ajuda tem sido maior do que as situações negativas enfrentadas desde a tragédia.
A Polícia Civil informou que, até o momento, não há registro de ocorrência relacionado às denúncias de ameaças, golpes ou tentativas de extorsão na Delegacia de Polícia de Giruá.
Relembre o caso
O tornado foi registrado por volta das 18h25 de terça-feira (28) e esteve associado a uma supercélula, tipo de tempestade caracterizada por uma intensa corrente ascendente giratória. O fenômeno passou pelos municípios de Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, provocando destruição principalmente em áreas rurais.
Segundo a Defesa Civil de Giruá, pelo menos 15 residências sofreram danos severos, comprometendo praticamente toda a infraestrutura das propriedades atingidas. O desastre deixou 30 pessoas desalojadas e quatro feridas.
Conforme a Prefeitura de Giruá, as localidades de Rincão do Ribeiro e Vila dos Mellos concentraram os maiores prejuízos. Na propriedade da família Amaral viviam seis pessoas distribuídas em três moradias. Em uma delas residiam os pais de Gilço Amaral; em outra, Gilço, a esposa Diele e a filha de três anos; e, em um pequeno anexo, morava a avó da família, Nilda Paz do Amaral, de 86 anos. Todas as construções foram atingidas pela força do tornado.
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