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Operação desarticula esquema de falsas campanhas de doação e prende 13 suspeitos em cinco Estados

Investigação aponta uso indevido da imagem de criança gaúcha com câncer, inteligência artificial e movimentação de mais de R$ 1,7 milhão por organização criminosa.

Por: Marcelino Antunes Fonte: GZH
14/07/2026 às 10h27
Operação desarticula esquema de falsas campanhas de doação e prende 13 suspeitos em cinco Estados

A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (14), a Operação Sophia para combater uma organização criminosa suspeita de criar campanhas falsas de arrecadação de doações utilizando a imagem de crianças em tratamento de doenças graves. A ação ocorre simultaneamente no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Até o momento, 13 pessoas foram presas.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc). Ao todo, estão sendo cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão.

O caso teve início após a família da pequena Sophia, de três anos, moradora de Campo Bom, no Vale do Sinos, denunciar que fotos e vídeos da menina, que enfrenta um tratamento contra o câncer infantil, estavam sendo utilizados sem autorização em campanhas fraudulentas nas redes sociais. Os golpistas criavam anúncios patrocinados e páginas falsas para convencer pessoas a fazer doações que jamais chegavam à família.

De acordo com o delegado João Vitor Heredia, responsável pela investigação, no Rio Grande do Sul uma ordem de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão são cumpridos em Passo Fundo. O investigado é apontado como integrante do núcleo financeiro da organização.

Segundo a Polícia Civil, ele teria utilizado uma empresa registrada em seu nome para abrir uma conta em uma intermediadora de pagamentos. Essa conta funcionava como destino inicial dos valores enviados por vítimas por meio de QR Codes Pix, sob a falsa promessa de ajudar no tratamento da menina. Conforme a apuração, aproximadamente R$ 31,7 mil passaram por essa conta antes de serem distribuídos para outros integrantes do grupo.

Ainda conforme o delegado João Vitor Heredia, há indícios de que o suspeito tenha disponibilizado conscientemente sua identidade e sua estrutura empresarial para facilitar o recebimento das doações fraudulentas, ocultar os verdadeiros beneficiários dos recursos e permitir a movimentação do dinheiro obtido ilegalmente.

As investigações apontam que a organização criminosa utilizava fotografias, vídeos e relatos reais de pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente crianças com doenças graves, para dar credibilidade às campanhas falsas. No caso de Sophia, os pais mantêm apenas um perfil oficial no Instagram, onde compartilham a rotina e o tratamento da filha. Mesmo assim, criminosos desviavam doações utilizando a história da menina.

A polícia também identificou que os suspeitos impulsionavam os anúncios por meio de publicidade patrocinada, ampliando o alcance das falsas campanhas. As vítimas eram direcionadas para páginas fraudulentas que imitavam plataformas de arrecadação, levando muitas pessoas a acreditarem que estavam contribuindo para causas legítimas.

Para dificultar o rastreamento do dinheiro, o grupo utilizava intermediadoras de pagamento, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, domínios registrados em servidores estrangeiros, mecanismos para ocultação de páginas na internet e perfis previamente preparados em redes sociais.

A investigação revelou ainda que a organização possuía uma estrutura sofisticada e divisão de tarefas entre seus integrantes. Cada núcleo era responsável por funções específicas, como criação de sites falsos, produção de vídeos e materiais publicitários, gerenciamento de anúncios e utilização de tecnologias de inteligência artificial.

Durante as apurações, foram identificadas ferramentas capazes de manipular áudios e vídeos, realizar sincronização labial, criar avatares digitais, clonar vozes, remover metadados e esconder páginas fraudulentas. A polícia também encontrou indícios de pesquisas direcionadas à identificação de novas vítimas, principalmente crianças com doenças graves, indicando a continuidade da atividade criminosa.

Segundo a Polícia Civil, somente na campanha falsa que motivou a investigação foi possível rastrear aproximadamente R$ 294,5 mil arrecadados por meio de chaves Pix e plataformas de pagamento. Além disso, a apuração identificou movimentações financeiras muito superiores nas contas e empresas utilizadas pelo grupo, destacando uma empresa apontada como centro financeiro da organização, que teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado.

Durante a Operação Sophia, policiais cumprem mandados em residências e empresas ligadas aos investigados para apreender celulares, computadores, documentos, mídias digitais, dispositivos de armazenamento, cartões bancários, contratos sociais, registros de acesso, credenciais de plataformas digitais, arquivos relacionados aos sites utilizados nas fraudes e outros materiais que poderão reforçar as provas reunidas pela investigação.

 

 

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