O custo da cesta básica registrou alta nas 27 capitais brasileiras em março, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em conjunto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A capital paulista manteve o maior valor, chegando a R$ 883,94, enquanto Aracaju apresentou o menor custo médio, de R$ 598,45.
Entre os itens que mais pressionaram os preços estão feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. No caso dos três primeiros, as chuvas nas principais regiões produtoras influenciaram diretamente a alta. Em sentido oposto, o açúcar teve redução de preço em 19 capitais, associada à maior oferta no mercado.
As maiores elevações percentuais foram registradas em cidades do Norte e Nordeste, com destaque para Manaus, Salvador e Recife. Já entre os maiores custos, além de São Paulo, aparecem Rio de Janeiro, Cuiabá, Florianópolis e Campo Grande.
Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621, o trabalhador precisou, em média, destinar 48,12% da renda líquida para adquirir os itens básicos, acima do percentual de fevereiro, mas abaixo do observado no mesmo período de 2025. O tempo médio de trabalho necessário para a compra da cesta foi de 97 horas e 55 minutos.
No acumulado de 12 meses, houve aumento em parte das capitais analisadas, com destaque para Aracaju, Salvador e Recife. Já as principais quedas ocorreram em Brasília e Florianópolis.
O estudo também aponta que o feijão teve alta em todas as cidades pesquisadas, refletindo problemas na produção, como redução de área plantada e dificuldades na colheita. Apesar da estimativa de produção acima de 3 milhões de toneladas, fatores climáticos e custos ainda geram incertezas no setor.
Com base na cesta mais cara e nas despesas essenciais, o Dieese calcula que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99 em março, o equivalente a 4,58 vezes o piso atual.