
Os dados mais recentes divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio do Novo Caged, acendem um alerta preocupante sobre o mercado de trabalho na Região Celeiro.
Longe de indicar recuperação, os números de fevereiro de 2026 revelam um cenário de retração e fragilidade na geração de empregos formais.
No mês, a região registrou um saldo negativo de 77 postos de trabalho com carteira assinada — resultado do elevado número de desligamentos, o maior observado nos últimos tempos.
O desempenho evidencia uma desaceleração significativa da economia local, com mais trabalhadores perdendo seus empregos do que sendo contratados. Entre os municípios, o contraste também chama atenção no mês de fevereiro/26 é Tenente Portela que apresentou o melhor resultado, com a criação de 33 vagas.
Em sentido oposto, Miraguaí teve o pior desempenho, com saldo negativo de 61 postos de trabalho, liderando as perdas no período.
O cenário se agrava quando analisado o acumulado do primeiro bimestre de 2026.
A Região Celeiro soma um saldo negativo de 93 vagas formais, reforçando a tendência de queda no nível de emprego. Embora Chiapetta ainda mantenha a liderança na geração de vagas no período, com 18 postos criados, o número é insuficiente para compensar as perdas registradas em outros municípios.
Miraguaí novamente aparece como destaque negativo, acumulando saldo de -77 vagas.
Outro dado preocupante envolve os principais centros urbanos da região. Das quatro maiores cidades em população, apenas Tenente Portela conseguiu fechar o período com saldo positivo — ainda assim, com apenas 11 vagas criadas. Já Três Passos (-42), Crissiumal (-38) e Santo Augusto (-9) apresentam desempenho negativo, reforçando a dificuldade das cidades-polo em impulsionar o emprego regional.
Apesar de 10 dos 21 municípios terem registrado saldo positivo na geração de empregos, os números são considerados tímidos e insuficientes para reverter o quadro geral. Na outra ponta, metade da região enfrenta retração, com municípios acumulando mais demissões do que admissões.
Diante desse panorama, os dados do Novo Caged não apenas confirmam um momento delicado, mas escancaram um quadro estrutural de enfraquecimento econômico na Região Celeiro em 2026.
A persistência de saldos negativos, aliada à incapacidade dos principais municípios de reagirem, indica mais do que uma oscilação passageira: revela uma região que perde dinamismo, reduz oportunidades e vê crescer a insegurança no mercado de trabalho. Soma-se a isso o fato de que a geração de empregos figurava como promessa central em praticamente todos os planos de governo dos atuais mandatários municipais, o que torna o cenário ainda mais crítico diante da evidente distância entre o discurso e a realidade. Se mantida essa tendência, o risco é de aprofundamento das desigualdades locais, êxodo de trabalhadores e estagnação prolongada, consolidando um cenário preocupante para o desenvolvimento regional no curto e médio prazo.

(Tabela: Observador Regional)
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