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Trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão no RS

Vítimas atuavam na coleta de frangos em granjas fornecedoras da empresa; grupo resgatado tinha jornada de até 16 horas diárias e buscou atendimento médico com sintomas de esgotamento físico.

Por: Rafael Piasecki Fonte: Fonte: Jornal Província/ Com Informações do portal Repórter Brasil/Daniela Penha/Poliana Dallabrida/André Campos
25/05/2025 às 17h17
Trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão no RS
Jornadas excessivas e condições insalubres são alguns dos problemas enfrentados pelos trabalhadores da apanha de frango (Foto: André Campos/2016/Repórter Brasil)

Dez pessoas foram resgatadas em situação análoga à escravidão em granjas de frango no interior do Rio Grande do Sul. A operação foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que responsabilizou a empresa contratante pelas condições degradantes às quais os trabalhadores foram submetidos.

O grupo atuava na apanha de frangos em granjas localizadas em cidades da região norte do estado e enfrentava jornadas que chegavam a 16 horas diárias, muitas vezes sem pausas para alimentação. Os auditores constataram que os trabalhadores comiam frangos descartados e, em alguns casos, precisaram de atendimento hospitalar devido ao esgotamento físico.

Os trabalhadores, oriundos de estados do Nordeste e da Argentina, relataram ter sido aliciados com promessas falsas de boas condições de trabalho. Ao chegarem ao Rio Grande do Sul, passaram a contrair dívidas ilegais com transporte, alimentação e alojamento — o que, segundo o MTE, caracteriza trabalho forçado por endividamento.

A fiscalização identificou informalidade, ausência de registros em carteira e pagamentos por diária, entre R$ 130 e R$ 150. Quando não conseguiam cumprir todas as cargas, deixavam de receber pelo dia trabalhado. Em média, cada trabalhador carregava 540 caixas por caminhão, somando cerca de 16 toneladas.

Um dos trabalhadores relatou ter feito 13 carregamentos em um único dia, sem intervalo sequer para comer. Supervisores chegaram a dizer que “se não mata, aleja”, numa demonstração de desprezo pelas condições humanas de trabalho, segundo os auditores.

As equipes partiam diariamente de Arvorezinha e se deslocavam para granjas em municípios vizinhos, seguindo cronograma fixado com antecedência. O descumprimento dos horários estabelecidos gerava advertências e ameaças de multas, o que pressionava os trabalhadores a manterem o ritmo exaustivo.

Quatro alojamentos foram fiscalizados em cidades da região. Em um deles, os trabalhadores estavam há duas semanas sem água. Faltavam camas para todos, os banheiros não tinham pias e as condições gerais foram descritas como insalubres.

O MTE também identificou indícios de tráfico de pessoas com fins de exploração laboral. Os trabalhadores relataram ter sido enganados antes de deixarem seus estados de origem e ameaçados ao tentarem denunciar a situação. Um estrangeiro contou ter sido intimidado com a promessa de deportação caso procurasse ajuda policial.

A empresa responsável pelo recrutamento recebeu 20 autos de infração. A contratante principal, mesmo tendo realizado seis inspeções entre agosto de 2023 e dezembro de 2024, foi considerada corresponsável por não garantir condições adequadas nem fiscalizar de forma efetiva o cumprimento da legislação trabalhista.

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