
Em meio à crise do coronavírus, o preço médio do litro de gasolina acelerou o ritmo de queda no Rio Grande do Sul. Na semana passada, passou de R$ 4,201 para R$ 4,161. Trata-se do menor valor nos postos do Estado desde novembro de 2017. À época, estava em R$ 4,130.
Com a nova redução, o preço gaúcho acumula baixa de 12,6% em 2020, indicam dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Conforme o órgão regulador, na última semana completa do ano passado, a gasolina custava, em média, R$ 4,760 no Rio Grande do Sul. Ou seja, de lá para cá, o litro ficou R$ 0,60 mais barato nas bombas.
Analistas mencionam que a baixa tem sido aditivada pela combinação entre grande oferta e pouca demanda pelo combustível. Antes de o coronavírus chegar ao Estado, Rússia e Arábia Saudita já travavam uma guerra no mercado de petróleo. Durante a disputa, o anúncio de aumento na produção causou tombo nos preços internacionais da commodity, que servem de referência para a Petrobras em suas refinarias. Ao longo desta segunda-feira (20), a cotação do petróleo nos Estados Unidos, por exemplo, despencou para o menor patamar histórico.
Ao mesmo tempo, o distanciamento social motivado pela pandemia faz o consumo de gasolina diminuir de forma intensa no Rio Grande do Sul. Conforme o Sulpetro, sindicato que representa os postos gaúchos, a venda do combustível chegou a desabar até 80% em parte dos estabelecimentos.
— Com a guerra entre Rússia e Arábia Saudita, houve aumento na oferta, jorrou petróleo no mercado. Enquanto os tanques das refinarias ficaram cheios, as pessoas pararam de andar de carro por causa do coronavírus. Não me lembro de uma crise como esta — resume João Luiz Zuñeda, sócio-fundador da consultoria MaxiQuim.
No Brasil, também houve recuo no preço médio da gasolina. Segundo a ANP, o valor do litro caiu para R$ 4,095 na semana passada. Com isso, a baixa acumulada no país é de 10,1% em 2020.
O que chama atenção é que, no mesmo período, a redução no preço nas refinarias da Petrobras foi bem mais intensa, chegando a quase 50%. Depois de deixar esses locais, a gasolina é levada pelas distribuidoras até os postos.
Na visão de Zuñeda, o alto nível de tributos ao longo da cadeia produtiva impede a queda na mesma proporção para o consumidor final. Segundo a Petrobras, em média, o lucro da estatal corresponde a 20% da composição do preço da gasolina no país. Enquanto isso, ICMS e tributos federais (Cide, Pis/Pasep e Cofins) representam 49% do combustível cobrado nas bombas.
— O valor da gasolina nas refinarias não é o único fator que pesa sobre o preço final. A baixa nos postos é menor por causa da parcela de impostos. Quase metade do preço final é composta por tributos — observa Zuñeda.
Como as cotações de petróleo seguem desabando no mercado internacional, a Petrobras anunciou nesta segunda-feira nova baixa nas refinarias. Com a decisão, a estatal reduzirá o valor médio da gasolina em 8% e o do diesel em 4% a partir desta terça-feira (21).
— Não tem como a baixa nas refinarias chegar no mesmo nível aos postos, porque quase a metade do preço final é composta por tributos. Cada um está fazendo o que pode para lidar com esta situação — afirma o presidente do Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua.
Conforme o dirigente, postos de Porto Alegre têm sofrido mais durante a crise do coronavírus. No Interior, também houve redução na venda de combustíveis, mas em menor proporção, já que parte das prefeituras flexibilizou as medidas de distanciamento social, frisa Dal'Aqua.
— Em Porto Alegre, a queda tem sido mais intensa, em média, de 70%. Dependendo da localização, chegou a 80%. A cidade depende muito do setor de serviços, que praticamente parou. No Interior, o impacto vem sendo menor, com baixa de 30% a 40% na venda — relata o presidente do Sulpetro.
Na Capital, o valor médio da gasolina foi de R$ 4 na semana passada, aponta a ANP. Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, teve o menor preço pesquisado no Estado (R$ 3,908). Na outra ponta da lista, aparece Bagé, na Campanha, com o combustível mais caro (R$ 4,930).
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