
O Rio Grande tem 3.485 respiradores em hospitais públicos e privados, conforme o Data SUS, plataforma do Ministério da Saúde. A maioria em Porto Alegre (1.211), Caxias do Sul (267) e Passo Fundo (174). O número é considerado razoável pelo coordenador da Comissão Científica de Terapia Intensiva da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Eduardo Leite, dada a realidade do país. Se vai faltar ou não, julga ser cedo para avaliar:
A Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do RS, a pedido da Secretaria Estadual da Saúde, levantou com seus 260 associados quantos respiradores novos seriam necessários para enfrentar o coronavírus. Os 91 que responderam pediram, juntos, 478 aparelhos.
Com população estimada de 11,3 milhões de pessoas, o Rio Grande do Sul conta com 3,2 mil leitos de UTI públicos e privados — 1.630 para adultos. Os respiradores, em caráter emergencial, podem ser utilizados fora destas unidades desde que observada uma medida indispensável.
Presidente do Conselho de Secretários de Saúde do RS, Diego Espíndola mostra-se apreensivo com possibilidade de os municípios não conseguirem atender a demanda de pacientes e baseia sua inquietação na amostragem do dia a dia, antes da pandemia chegar ao Estado.
A preocupação dele vai além do aparelho: teme que, no auge da crise sanitária, falte também profissionais capacitados para manusear os equipamentos. Diferentemente de outras epidemias, a covid-19 exige em média 15 dias de entubação, às vezes até mais de 20 dias. Na H1N1, era sete. Isso aumenta a necessidade de profissionais e eleva o risco do colapso o sistema de saúde.
Entre os profissionais da saúde há o temor de que, com a disseminação do novo coronavírus no Estado, a quantidade de respiradores pulmonares seja insuficiente para atender os contaminados. Esses aparelhos são essenciais para a manutenção da vida de pacientes com quadros graves da covid-19. Na Itália, a escassez tem obrigado médicos a escolherem quem deve usá-los, praticamente, sentenciado à morte dos demais. Os preteridos têm sido os mais velhos, porque suas chances de sobrevivência são, em tese, menores.