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Brasileiras, que moram na Itália, relatam rotina com o Coronavírus

O país está em estado de quarentena e as pessoas estão impedidas de deixar as suas casas

Por: Jonas Martins Fonte: Rádio Província
14/03/2020 às 15h07 Atualizada em 14/03/2020 às 15h19
Brasileiras, que moram na Itália, relatam rotina com o Coronavírus
Ruas e galerias da Italia estão desertas em virtude do estado de quarentena (Foto: Pedro Victor Alves Barbosa)

Karoline Ferreira, fonoaudióloga, brasileira, que mora na Itália, na região de Milão, há 14 anos,  foi uma das entrevistadas do programa Tribuna Popular deste sábado, 14.

Ela comenta que a partir do momento em que foi descoberto os primeiros casos, já foram fechadas as escolas e neste último ciclo a lei é de quarentena, que determina que as pessoas não podem sair de casa, entrou em vigor e mudou completamente o cenário pelas ruas do norte italiano. “A Polícia está nas ruas e para sair é necessária uma autorização. ”

Ferraira disse que a situação mudou na última semana, sendo que todas as ruas estão desertas, uma vez que a ordem é que as pessoas não deixem as suas casas. Essa lei vale pelo menos até o dia 20. A iniciativa das autoridades tem o objetivo de controlar o contágio que se propaga de maneira muito rápida.

Os números de casos estão aumentando e em nem 30 dias desde que foi diagnosticado os primeiros casos, já foram mais de 15 mil confirmados e quase 2 mil mortes.

Os únicos comércios abertos, segundo a brasileira, são mercados e farmácias. “Para ir no mercado precisa da autorização e sair com luvas e máscara e para entrar no mercado são três pessoas por vez, independentemente do tamanho do estabelecimento e nas farmácias é uma única pessoa por vez que pode entrar e sempre com máscaras e luvas. ” Segundo ela, há filas gigantescas na frente desses estabelecimentos, já que as pessoas não podem ficar a menos do que 1 metro de distância.

“Eu moro aqui há 14 anos e nem em agosto, onde a cidade é mais tranquila, a gente vê essa situação. As ruas de Milão estão desertas. Absolutamente desertas. ”

Sobre o pânico, ela disse que já passou e que agora as pessoas estão ouvindo o que as autoridades estão falando para tentar estancar o estágio de contágio para que a vida possa voltar ao normal dentro dos próximos dias.

Também participou do Tribuna Popular deste sábado a enfermeira Fabíola Baesso Perdona, catarinense, que mora na Província de Bolonha desde 2004. A profissional de saúde relatou que trabalha na saúde pública italiana, em um posto de saúde, onde é concursada.

“Nossa vida no trabalho mudou muito nestas últimas semanas. Nas áreas hospitalares há um estado de emergência, sendo que o banco de leitos não é suficiente para uma pandemia desse tamanho.” Ela relata que o país não estava esperando esse tipo de caso.

A enfermeira comenta que as pessoas têm à autorização apenas para ir ao mercado e farmácia, no caso dela, há também tem autorização para ir para o trabalho, já que ela atua na primeira linha e esses serviços não podem parar. Nesta parte do país algumas fábricas ainda estão trabalhando.

 Ela relatou que os profissionais estão trabalhando de máscaras e de luva e porque atualmente há uma falta de máscaras no país, a recomendação do governo, é que as máscaras sejam disponibilizadas para apenas pessoas que tenham sintomas. “As máscaras são usadas para as pessoas não espalharem o vírus, já que não há máscara para todos usarem. Houve uma corrida para comprar máscaras e luvas quando os casos de contágio começaram a aumentar”, relatou ela.

A profissional de saúde cita que a situação é séria e que a recomendação mais eficiente é que as pessoas lavem as mãos mais do que o normal. Ela disse que a lei de quarentena foi imposta porque as pessoas não estavam cumprindo as recomendações iniciais.

No posto de trabalho onde ela atua, segundo Perdona, não existem mais filas nos postos de saúde, já que as pessoas que estão com os sintomas devem ligar para os médicos para que esses, orientem, marcando horário ou deslocando uma equipe até a residência das pessoas que apresentam os sintomas.

“Nesta parte da Itália onde eu moro os hospitais não estão lotados, sendo que na região norte a situação é muito mais séria. ” Ela comentou também que como houve muitas pessoas da saúde que foram contaminados e precisaram ser afastadas do trabalho, estão buscando profissionais estrangeiros para ajudar no trabalho. Ela comenta que neste sábado começou a chegar médicos da China que estavam trabalhando em seus países de origem no combate da doença.

Outra mudança que ela comentou, é que os hospitais estão sendo isolados, sendo que naqueles onde há grande números de contaminados estão sendo abertos apenas para o tratamento de Coronavírus e os demais pacientes estão sendo transferidos para outros centros de saúde, para evitar que mais pessoas sejam contaminadas.

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