Os muitos dias sem chuvas registrados no estado do Rio Grande do Sul já liga um sinal de alerta nas propriedades rurais do estado. Os produtores estão preocupados com as perdas de produtividade em virtude da falta de chuvas.
Nas lavouras de milho, a colheita foi adiantada em algumas propriedades para evitar perdas mais significativas. Segundo agricultores, o florescimento está se dando com pouca umidade do ar e muita incidência do sol, “queimando” as plantas. Pouco otimistas, eles têm calculado quebra de metade da safra.
Semeado entre agosto e setembro, o milho está no período de enchimento dos grãos, etapa do cultivo que demanda mais água. Já a soja, considerada uma planta resistente, está em fase reprodutiva e ainda poderá reagir, mas terá seu potencial reduzido. Porém, trata-se de um cenário disforme, de acordo com o diretor-técnico da Emater, Alencar Rugeri, já que, na mesma área, há produtores com perdas significativas e outros sem danos. As informações são de reportagem públicada em Gaúcha ZH.
Nas lavouras de milho, o tamanho do dano está relacionado ao mês de plantio. Agricultores que semearam em agosto foram pouco afetados, enquanto os que plantaram em setembro estão colhendo perdas.
Nesta segunda-feira (6), após reunião na Secretaria da Agricultura, foi determinado que até o final da semana se tenha levantamento consolidado de perdas. Também foi criado grupo para monitorar os efeitos da estiagem.
Segundo a reportagem, da mesma forma, a indústria de carnes está em atenção máxima. Mesmo em anos bons, o Rio Grande do Sul não é autossuficiente na produção de milho.
Esse déficit obriga a compra do grão, insumo da ração de animais, de outras regiões, ampliando custos. É por isso que empresas buscam alternativas de fornecimento. Dentro e fora do Brasil.
Diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, explica que, no Rio Grande do Sul, o custo do frete de outros Estados pode ficar parelho com o da importação. Países como a Argentina acabam sendo opção.
O Rio Grande do Sul normalmente necessita trazer de fora 1,5 milhão de toneladas de milho para abastecer as indústrias de aves e de suínos. Neste ano, como a colheita estava estimada em 5,95 milhões de toneladas, projetava-se volume menor.
Nas estimativas iniciais, o Estado projetava nova safra recorde de grãos de verão. A falta de chuva poderá interromper um ciclo de sete safras positivas.